
Pardalzinho
O pardalzinho nasceu
Livre. Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos.
Foram cuidados em vão:
A casa era uma prisão,
O pardalzinho morreu.
O corpo Sacha enterrou
No jardim; a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!
Manuel Bandeira
Essa poesia, para mim, traz um grito de liberdade. Não aborda somente a questão da covardia humana em aprisionar passarinhos, vai além disso.
Os seres humanos gostam de admirar o que é belo em sua concepção, por isso prendem o passarinho? Discordo.
Os seres humanos que são capazes de prendê-los não admiram o belo, pois não há beleza maior do que um passarinho voando em liberdade. Prender um ser que poderia estar voando é o que se faz todos os dias, com as maiorias oprimidas. O mundo foi transformado em uma gaiola, em que aqueles que têm o poder, se sentem exatamente como os que prendem os passarinhos, inocentes.
A falta do sentimento de culpa está intimimamente ligada com o fato do ser humano , em sua maioria, aceitar o que é proposto pela sociedade, sem questionamentos. Esse aceitar sem questionar, virou força do hábito.
Com isso, virou força do hábito quebrar as asas dos mais vulneráveis todos os dias. Virou força do hábito ver que isso está ocorrendo e permanecer inerte. Virou força do hábito fazer parte da engrenagem que prefere o conforto de viver na superficialidade. As "Sachas" inocentes e perversas de nossa sociedade, não estão somente naqueles e naquelas que fazem "o mal propriamente dito".
A omissão é um mal propriamente dito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário