terça-feira, 27 de agosto de 2013

Luz. Pura. Inteira. Embriagada.


Doces notas. Jasmin? Rosas?
E, fresco, o encontro dos fogos. Artifícios.

Doces notas tomam conta de mim.
Há tantas e tantas a passear, borboletas do meu eu.
Que palavras, onde as encontro?
Como prosseguir com a poesia assim chamada?

Um anjo surge. Não tem nome. Nem voz. Nem vocabulário.
Não tem marcas. Nem beijos. Nem promessas.

Um anjo surge. Não tem som. Não tem céu. Só tem sim.
Um pouco do acaso. Bocado traçado.
Por voz, pedido. Carmim.

Um samba de música clássica.
Pés voadores.
E dança.

Dança nesse mar de vento que se leva.
De vida que se entrega.
De choro que se deixa.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Rascante


Um amor. Um terraço. Um aposento.
Uma mesa. Uma cama. Um dicionário.
Palavras, todas elas, ali, no vernáculo empoeirado.

Na canção dos olhos. Na canção do rádio...
Na melodia dos sonoros cantos entoados.

Tomemos um café para enganar a fome.
Alivia. Desperta. Exaspera.
Ouvimos “desperta”?

Há um som que deixa essas casas da rua de trás.
Vêm, por ali, todos eles tão tímidos.
Mas, que timidez! Ainda assim invadem nossa morada.

Uma mesa. Uma cama. Um dicionário.

Escrevo um poema. Dá-lo a quem? A mim mesma?
E o que ele me traz?
Dá-lo a ti, ao teu semblante?
Abriria um sorriso?

Um amor. Um terraço. Um aposento. Um dicionário.

Recebo uma carta. Duas. Algumas. Centenas.
Onde guardá-las?
Haveria tantas gavetas na parte de dentro?

Acendo um cigarro. O vento o leva de mim.
Fumar faz mal, diz a parte reconhecida.

Acendo outro. O vento leva outra vez.
Eis, que decido ficar comigo.
Sem goles, cigarros, ou distrações.

A luz invade a mesinha. E o papel, branco, amarelo fica.
Do sol? Da doce quimera?
Ou de um passado que se queima em ventos que levam cigarros?

E por assim dizer, eis que abro, também, o dicionário.
Espelho de algumas passagens.
Amar é um verbo. E amor?
Palavras não amam ninguém.

Fecho-o. Vou sentir o horizonte. Há, lá, pássaros que cantam.
Doces notas ao soar de mim.

Uma brisa que bate. Uma história que insiste. Um relógio que encarde.
E diante, o tal livro de português.
Tia Maria dizia que dois nãos repetidos, era o mesmo que o sim.
Palavras não amam ninguém.
E agora? Passo a ser o oposto? A afirmação escondida?

Palavras me amam. Em minha pele, centenas delas.
Palavras me acariciam. Em meus olhos, uma porção.
Palavras, alimentos.

Mas que alimentos são esses, que puros, só à fome deixam espaço?

Fecho o livro, o dicionário.
Mas antes, outra palavra.
Tão seca, tão crua e cruel.

Ato. Leio-a bem alto.
Ato.
E de novo, palavras não amam ninguém.

O que Epicuro e a Terapia Cognitiva têm em comum.

            Epicuro nasceu há 341 a. C. Aaron Beck, o criador da TCC nasceu em 1921. Epicuro foi um filósofo. Beck é um médico, cientista e ...