sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O silêncio.

Até o silêncio tem um nome: o silêncio.
Não é lindo?
Essa pessoa que inventou um nome para o que chamamos de silêncio...
Como será que ela era?
Imagino-a como um ser encantador, de uma beleza ingênua e genuína.
Como dizer o silêncio sem proferir a palavra?



As idéias, estão todas dentro de mim.
Elas moram em um lugar que não existe.
Ou melhor, moram em locais distintos de uma alma que se multiplica.
Há palavras que são audaciosas.
Há palavras que tentam decifrá-las.
Eu as utilizo, pois é o instrumento que me serve.
Mas sigo dizendo: palavrinhas, eu as amo, mas vocês não são o que sou.
Sou um eu que não se chama eu.
Tenho um nome que não admite letras.
Por ondas eu sigo. Talvez as ondas tenham outro nome também.
Tente me decifrar. Olhe no fundo dos meus olhos.
Não há ser que seja capaz.
O próprio ato é repleto de audácia e pretensão.
Não condeno. A audácia e pretensão fazem parte de nós.
Entretanto, a ausência das palavras decifradoras não faz parte de nós.
Ela é nós.
Enquanto nós somos os nós atados.
Sem representações.
Sem audácias criadoras.
Sem respostas que nos desatam.
Puros e Simples.

domingo, 25 de setembro de 2011

Ladrões de Bicicleta

 Como prometido no post anterior, dedicarei esse post a Ladrões de Bicicleta.



Um filme de Vittorio de Sica que traz a tona não somente as consequências óbvias do desemprego no que diz respeito a  questão do proletariado, mas sobretudo aquelas que exigem um pouco mais de sensibilidade para que sejam notadas com a atenção que merecem.
 Antonio Ricci, um homem desempregado. Não simplesmente isso. Antonio Ricci, um homem ético desempregado.
 O filme se desenrola na questão da necessidade versus ética, o que muito me atrai, uma vez que considero o ato de julgar o comportamento de um homem algo que exige extrema delicadeza, tendo em vista que as circunstâncias têm a possibilidade de atingir um peso que ombros carregadores de ética e ideologias respeitáveis podem não suportar.
 Antonio Ricci se vê na iminência de arranjar um emprego. É necessário, porém, que consiga uma bicicleta, pois sua função é a de colar cartazes pelas ruas.
  Ele troca alguns pertences de valor sentimental, como lençóis do seu enxoval de casamento pela bicicleta. Isso, porém, não o permite sentir pena pelo que se foi.
O homem sente profunda alegria pelo que surge.
  Há um outro porém. A bicicleta é furtada e o homem se vê diante da angústia e desespero da esperança roubada, do pão roubado, da dignidade arrancada por farpas que tendem a ocupar o seu lugar.
  Inicia-se a busca pela bicicleta e por todos os consequentes fatores imputados em relação a ela.
  O homem não está sozinho. Ele é casado com uma mulher que o ama. Ele tem um filho que o admira e que o ama incondicionalmente.
  Entretanto, a questão de ter ao seu lado pessoas que ama e que o amam tanto torna a busca ainda mais acirrada, uma vez que Antonio não se vê responsável apenas por sua sobrevivência.
  Bruno, um menino extremamente sensível se mostra em alguns momentos mais atento ao que o rodeia do que o próprio pai, trazendo a ideia de que não se pode subestimar a inteligência de uma criança.
 Enquanto os adultos muitas vezes se deixam cegar pelas situações de desespero sendo levados a cometer atos ingênuos de certa forma, a criança sensível e com a necessidade latente de ajudar aquele que é para ela um herói é capaz de enxergar separadamente as cores das circunstâncias, que aos olhos dos adultos podem se misturar.
  O filho se mantém ao seu lado o tempo inteiro, inclusive no momento que é tratado de forma injusta, momento esse que foi um dos mais tocantes para mim.
  Bruno diz que gostaria de comer. O pai tem a reação de dar um tapa no menino, que fica triste, mas que o perdoa.
  Perdoar, uma das atitudes mais difíceis de ser realizada. As crianças possuem capacidade incrível de fazê-lo, pois amam profundamente viver o presente, o que torna o ato de remoer o que ocorreu extremamente desnecessário quando se pode usar o mesmo tempo para construir castelos.
  O pai, em desespero maior, resolve furtar uma bicicleta.
Ele, entretanto, pensava que seu filho não estava vendo. Ele é pego.
 Desejam prendê-lo, mas um homem que vê Bruno junto a Antonio não permite que ele seja preso.
 Os olhos de Bruno não mostram a decepção da idealização perdida.
 Os olhos de Bruno mostram o amor incondicional, a compreensão além dos fatos por si só, a grandeza de um menino.
 Antonio sente profunda vergonha do filho. O filho segura a mão do pai. O elo.
 A mãozinha indo em direção a mão do pai que furta não por falta de ética, mas infelizmente por aquilo que a ética nem sempre é capaz de oferecer, tendo em vista o peso e a força das circunstâncias.
 Os dois caminham. Individualizam-se, não como individualistas, mas como indivíduos.
 A cena os mostra no meio dos transeuntes, como sujeitos de uma história especial que se repete.


Direção: Vittorio de Sica
País: Itália
Ano: 1948
 Elenco: Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola, Lianella Carell, Gino Saltamerenda, Vittorio Antonucci, Giulio Chiari, Carlo Jachino, Fausto Guerzoni, Michele Sakara, Elena Altieri 


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cada filme cada face.

 Dedicarei o post de hoje aos filmes que assisti no final de semana que se passou.



 Uma Doce Mentira, dirigido por Pierre Salvadori, com a talentosa Audrey Tautou se trata da história de uma mulher jovem que decide melhorar a devastada autoestima da mãe.
 Emilie, a jovem, recebe uma carta de amor anônima e resolve endereçá-la a sua mãe.
 A história acaba por se desenrolar, ou melhor, por se enrolar em diversas situações cômicas que me fizeram ver uma pessoa conhecida que quase não se satisfaz com comédias dar risos contagiantes!
Quanto aos meus risos... Ah! Que fiquem para a imaginação dos leitores!
Dentre as ótimas atuações, destaco a de Judith Chemla que me surprendeu!
Não imagino melhor maneira de se fazer a personagem da atendente insegura e sensível feita por ela!
 Saí do cinema com vontade de melhorar a autoestima alheia!
 Só não posso fazer disso algo tão complicado!! Cartas anônimas nem pensar!






 O outro filme assistido foi o drama Duas Mulheres com a belíssima Sophia Loren dirigido por Vittorio de Sica.
 A obra aborda os efeitos psicológicos causados pela Segunda Guerra Mundial de uma forma profunda que trata de passar a importância de cada ser em sua existência e dor, passando de maneira clara que estamos longe de merecermos a frieza das estatísticas.
 A perda forçada da inocência de uma menina que se vê não simplesmente diante do mundo, mas inserida nele como vítima que sofre sem ter cometido crime algum...
 A força da mãe que jorra de um canto da alma desconhecido em muitos momentos até a situação de horror...
 O arrependimento da mãe por ter batido na filha em um momento de desespero... Esse momento fez com que eu lembrasse de uma cena de Ladrões de Bicicleta. (Escreverei sobre essa obra de arte no próximo post!)
 O que o desespero pode causar? O que o desespero pode nos fazer descobrir?
 Somos fortes e vejo na dor a beleza da força que urge do canto desconhecido.
 Não se trata simplesmente de um filme que mereça ser visto, mas de um que deva ser!


Boa Semana a Todos!

O que Epicuro e a Terapia Cognitiva têm em comum.

            Epicuro nasceu há 341 a. C. Aaron Beck, o criador da TCC nasceu em 1921. Epicuro foi um filósofo. Beck é um médico, cientista e ...