Dedicarei o post de hoje aos filmes que assisti no final de semana que se passou.
Uma Doce Mentira, dirigido por Pierre Salvadori, com a talentosa Audrey Tautou se trata da história de uma mulher jovem que decide melhorar a devastada autoestima da mãe.
Emilie, a jovem, recebe uma carta de amor anônima e resolve endereçá-la a sua mãe.
A história acaba por se desenrolar, ou melhor, por se enrolar em diversas situações cômicas que me fizeram ver uma pessoa conhecida que quase não se satisfaz com comédias dar risos contagiantes!
Quanto aos meus risos... Ah! Que fiquem para a imaginação dos leitores!
Dentre as ótimas atuações, destaco a de Judith Chemla que me surprendeu!
Não imagino melhor maneira de se fazer a personagem da atendente insegura e sensível feita por ela!
Saí do cinema com vontade de melhorar a autoestima alheia!
Só não posso fazer disso algo tão complicado!! Cartas anônimas nem pensar!
O outro filme assistido foi o drama Duas Mulheres com a belíssima Sophia Loren dirigido por Vittorio de Sica.
A obra aborda os efeitos psicológicos causados pela Segunda Guerra Mundial de uma forma profunda que trata de passar a importância de cada ser em sua existência e dor, passando de maneira clara que estamos longe de merecermos a frieza das estatísticas.
A perda forçada da inocência de uma menina que se vê não simplesmente diante do mundo, mas inserida nele como vítima que sofre sem ter cometido crime algum...
A força da mãe que jorra de um canto da alma desconhecido em muitos momentos até a situação de horror...
O arrependimento da mãe por ter batido na filha em um momento de desespero... Esse momento fez com que eu lembrasse de uma cena de Ladrões de Bicicleta. (Escreverei sobre essa obra de arte no próximo post!)
O que o desespero pode causar? O que o desespero pode nos fazer descobrir?
Somos fortes e vejo na dor a beleza da força que urge do canto desconhecido.
Não se trata simplesmente de um filme que mereça ser visto, mas de um que deva ser!
Boa Semana a Todos!
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Nathália,
ResponderExcluirVocê conseguiu apreender muito bem a dimensão do filme, uma adaptação da novela de Alberto Moravia. A perda da inocência.
A impotência de mãe e filha diante da barbárie. A sua compreensão sobre o desespero, e o contraste entre a fragilidade e a força que surge da dor.
O filme também revela o conformismo demonstrado por tantos diante do fascismo e da violência conforme exibido em algumas cenas simbólicas como a família comendo, cantando e esbravejando ao mesmo tempo que bombas explodem.
Algumas cenas exibem como homens sem limites podem se transformar em feras. A cena no interior da igreja bombardeada, e a cena da mãe que perdeu o filho recém-nascido torturada pela dor e pelo absurdo, são exemplos da bestialidade. O que a dor psicológica causada pelo terror é capaz de fazer?
O filme também trata da dor de constatar a impotência perante a selvageria dos homens –feras.
Belas as suas palavras:"vejo na dor a beleza da força que urge do canto desconhecido”. Sim, resistir. Porém, o terror nem sempre permite a resistência imediata. A história continuadamente apresenta carnificinas onde os mais fracos são violentados e torturados sem qualquer possibilidade de defesa. Por isso, a importância de obras que tentam resgatar a humanidade .
Após “La Ciociara”, assistir “Uma Doce mentira” foi um bálsamo, pois nos convida ao suave entretenimento, ao sabor do riso, à leveza, ao terno...
É impossível não conter o riso e a ternura. A questão da autoestima foi colocada de uma forma contagiante. Algumas cenas são hilárias, outras repletas de afetos e delicadezas.
Espero o seu comentário sobre Ladrões de Bicicleta. Sou um pouco suspeita quando se trata de De Sica, em especial a fase do neorrealismo.
Beijos,
Cláudia