segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Piuííí!!!!!!!!!!



Há um bonde chamado desejo.
Nasce do desejo de ver desenhos em nuvens...
Flores em olhos...
Poesias em peças de xadrez que caem ao chão.

Um dia o bonde pára,
Abre suas portas...
Os passageiros saem,
Vêem estrelas cadentes
E se esbarram.

O bonde segue.
Restam os sonhos.
O céu coberto de estrelas.

Há um Dom Quixote em cada alma que anseia.
Uma Blanche DuBois em cada luz que não denuncia as rugas,
Mas que as fazem ser poesias de um rosto lírico...

Ela o põe para dançar.
Ele traz flores brancas.
De um branco que nem os olhos têm.

Gotas de orvalho se escondem em sonhos banhados por chuvas de verão.
O cheiro de terra molhada percorre os poros.
Salvam-se pelo bonde chamado ternura.

De olhos que olham, o dom de enxergar.
De ouvidos que ouvem, o dom de escutar.
De corações que batem, o dom de ser o que se é.

Um dia, o sonhador diz que ela o ensinou a importância de viver o presente.
Viver o presente em um constante sonhar.
Há quem pense que sonhar constantemente é o não contentamento.

Sonhar é ver uma estrela na asa de uma borboleta,
Persegui-la com os olhos até que ela invada as nuvens
E seguir acreditando que ela foi para outro planeta semear o amor.

As horas se passam e a borboleta fica na lembrança.
Pensa-se nela como um vôo que colore.
Como uma brisa que tranquiliza faces calorentas.

Um dia, um pedaço de torta que derrete na boca.
É o vôo que o peito dá ao sabor de um doce.
É o sonho constante.

Um dia, um mergulho calmo.
Primeiro, os pés.
Não há pressa para os calcanhares.

O prazer dos pés é a degustação de uma noz que não se sabia doce.
Eles dizem aos calcanhares: "Esperem. Um dia a dança será a sintonia do corpo por inteiro.
Por agora, queremos saber o que é dançar somente com os pés!"

Os calcanhares respeitam.
Sugam a paisagem dos moinhos da colina.
Logo, adentram o mar.
Nova paisagem. Estrelas marinhas.
Quem diria que ainda é possível ver o céu?

Embaixo d´água, um fogo que alimenta.
Acima, um sol que ilumina.
Embaixo, uma estrela que colore.
Acima, uma estrela que guia.

O corpo mergulha.
Descansa na areia.
Mergulha no céu.
Descansa no mar.

Mergulha no colo.
Descansa na grama.
Mergulha nos olhos.

O bonde faz: piuííí!!!!!!!!!!!!! Piuííí...
É um leve assovio passando ligeiro por uns...
Uma música envolvente que faz a festa de alguns.

E a trilha sonora da vida de outros.

Piuíííí fez o bonde...
Piuíííí!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

¿...?


Dançar de tênis em uma boate, uma sensação deliciosa. Uma frase e um rótulo. 

Adoro me maquiar. Outro rótulo.

Amo ler Clarice Lispector. Um rótulo.

Gosto de dançar hip hop. Outro rótulo.

Estudo direito. Um rótulo.

Estudo teatro. Outro rótulo.

Amo tomate. Um rótulo.

Consumo batata frita do Mc Donald's. Outro rótulo.

Rótulos que não combinam entre si. O estranhamento.
O estranho é ser uma coisa só.
A necessidade de rotular é crucial para as empresas. 
Um público-alvo respectivo. Um produto respectivo. Uma publicidade respectiva.
Com isso, o esquecimento social de que “um publico-alvo não se resume a um grupo de produtos, músicas, filmes, roupas, pensamentos...”

Uma vez declarado o amor à filosofia, como declarar amar me sentir bonita em uma roupa nova?
É simples. E sentir que sou uma infinitude dentro da finitude da vida me faz crer que não sou a única. Faço parte de uma espécie de 7 bilhões de pessoas.
Sou apenas um ser. Único, mas não o único.
Creio que o “normal” não é ser uma coisa só, por mais polêmica que seja a palavra.
Muitos acreditam no letreiro que diz: “É imprescindível caber em UMA das caixas disponíveis! Escolha a sua!”

Maravilhosa a sensação de olhar um ser e me permitir vê-lo.
Maravilhoso saber que nunca o saberei em sua completude, pois não há finalização em nós, mas finalidades!
Maravilhosa a compreensão maior e o constante desafio de relembrá-la.


Fala-se tanto em liberdade, mas poucos realmente a desejam.
Torcer o nariz é o que sobra. É o conforto de um grupo torcendo junto. 
Torcendo seus narizes, torcem suas mãos para que não permaneçam apenas unidos, mas dependentes.
A dependência conforta, mas a liberdade ressuscita.


Desde onde sei, cérebros foram feitos para serem usados assim como sapatos.
A célebre distinção é a de que o uso do cérebro não o desgasta, mas o aprimora. 
O fascinante é que o cérebro é de graça! Não pagamos nada para ter essa ferramenta magnífica! Nascemos com um!
Imaginem qual seria o valor de mercado de um cérebro bem exercitado?!?!?!?!
Uau! Tornou-se valioso agora?


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Não "mais que de repente".





 Falta-nos capacidade de enxergar todas as cores do Universo.
 Todas as cores que lembramos são cores já vistas.
 É poético, mas não é metáfora. É o próprio fato. Cru.
 Metáforas são inevitáveis.

 Se nos falta a capacidade...
 Seríamos todos daltônicos?
 Impressiona-me que tudo aquilo que é, só o é por meio do parâmetro.
 Como pensar que a verdade é una?

 Os parâmetros, chaves.
 Os ângulos distintos, portas.
 O desejo de crescer, os pés que atravessam.

 Está escuro?
 Os olhos estão realmente abertos?
 Na tentativa de abri-los, não suportou a poeira?
 Há uma fonte inesgotável que corre.
 Ela percorre as mais íntimas entranhas.
 É preciso que se queira senti-la.

 De repente, uma nova imagem.
 A questão por ângulo distinto.
 "De repente" é como se diz.

 E tudo aquilo que foi necessário para que o de repente se concretizasse?


Hoje comprei um livro que se chama Religião para ateus (Alain de Botton).
Achei o título interessante.
Posso dizer que o início desse livro é uma excelente maneira de reconhecer que o radicalismo é a pior das religiões.

Li o trecho abaixo e continuei lendo o livro, sobretudo por não ser uma das pessoas às quais o livro se destina segundo o autor.

 "Este é um livro para pessoas incapazes de acreditar em milagres, espíritos ou histórias de sarça ardente, e que não tem qualquer interesse maior nos feitos de homens e mulheres incomuns, como a santa do século XIII Inês de Montepulciano, que diziam ser capaz de levitar meio metro enquanto rezava e de ressuscitar crianças - e que, no fim da vida (supostamente), ascendeu aos céus do sul da Toscana nas costas de um anjo."

Ver o outro ângulo é a aceitação de que há cores que nossos olhos não enxergam.
A aceitação e radicalismo, antíteses que versam sobre nós.
Há cores inimagináveis.
E um dia se morre.

O que Epicuro e a Terapia Cognitiva têm em comum.

            Epicuro nasceu há 341 a. C. Aaron Beck, o criador da TCC nasceu em 1921. Epicuro foi um filósofo. Beck é um médico, cientista e ...