segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ator: o expectador espectador.




A primeira recomendação feita é a de que nos envolvamos. Entretanto, é apenas o resultado de uma recomendação implícita.
É preciso que se esteja disposto a abrir o coração.

De peito aberto, o envolvimento trata-se da conseqüência gerada. Porém, não se pode seguir o caminho que simplesmente se deseja, pois é essencial a transmissão da mensagem àquele que nem sempre está de peito aberto, aquele que nos sustenta.
E se tudo o que se passa nas veias necessitar ser sussurrado, será preciso que se sussurre alto, e que se preste atenção na entonação.

É necessário estudar o espaço a ser explorado. Afinal, não se pode permitir que expressão alguma seja omitida daquele que se permite assistir e consequentemente ser assistido, em ambas as concepções da palavra.

E por mais que se sinta dificuldade em encontrar palavras suficientes para a manifestação do que se quer passar, é de suma importância dizer o estritamente necessário. Aprende-se a valorizar cada palavra. Aprende-se tão intensamente o quanto, o valor do silêncio no momento oportuno.

O peito não só palpita. O peito não só estremece. O peito se deixa guiar pelo que ainda não recebeu nome. É sensação distinta de qualquer outra. Só é possível senti-la ali, entre um raio ou outro de luz por trás das coxias. Não há segurança capaz de distanciar alguma sensação típica do improviso. Essa, palpita entremeada. Permanece lá, intacta, vezes maior, vezes menor, mas sempre lá.
Ou melhor, ali, aí. Aqui.

E momentos depois, O sentimento, a inundação de todas as poesias em sais de lágrimas, não fosse o sentimento tradutor da estranheza que nos invade quando refletimos acerca do Infinito. Ah sim! É ainda maior que a inundação. É o sentimento que gosto de chamar de Universo, mesmo não sendo, ainda, e-xa-ta-men-te aquilo que queira dizer.

O Universo é quando se está ali, naquele espaço limitado, com um número tão limitado o quanto de espectadores, não fossem as centenas de almas que permeiam um só espectador, não fossem as milhares de almas a me permear. E são elas que me assistem, dos ângulos mais diversos possíveis. E são elas que me decodificam, de ângulos até mesmo inimagináveis. Elas me assistem de dentro.

O proibido não é bem-vindo. O individualismo, repudiado. Não há maneira bela de se construir uma cena sem o interesse pelo outro. Não só pelo que o outro fala, como pela maneira que o faz. Não só pelo que o outro ouve, como pela maneira que ouve. Não só pelo que o outro sente, mas principalmente pela forma que o outro se dedica a esse sentimento.

Contracenar ensina a maneira ideal para gerar as reações desejadas no coração do espectador: a valorização, primeiramente, daquele que o observa do mesmo plano. Atuar requer, sobretudo, a habilidade de ouvir. Contracenar é uma dança que por mais que se saiba os passos, é necessário que se saiba dançar no ritmo apresentado, seja esse o ensaiado ou não.

Seguidas todas as recomendações, é imprescindível o retorno à primeira.
Primeiramente e finalmente o peito se abre.

Por favor, façam silêncio: as cortinas também se abriram.

O que Epicuro e a Terapia Cognitiva têm em comum.

            Epicuro nasceu há 341 a. C. Aaron Beck, o criador da TCC nasceu em 1921. Epicuro foi um filósofo. Beck é um médico, cientista e ...