sábado, 30 de junho de 2012
Horizonte horizontal.
Os livros que eu não li. Os sonhos que eu não tive. As músicas que não ouvi.
Os filmes não vistos. As peças não assistidas. Os lugares aermos.
Os aromas que desconheço. As imagens não reveladas.
As perguntas que não me fiz.
As lembranças não vivenciadas. As texturas diversas.
Os sons irreproduzíveis.
Os temperos do mistério.
Os olhares desafiadores.
Os novos portais.
Os novos passos de dança.
As novas expressões.
As novas manias. Novas teorias.
Os novos calores.
As novas propostas.
As novas saídas. As novas respostas.
Um templo diferenciado.
Uma religião que é.
Um soluço que não se sabia.
Circunstâncias vizinhas.
Novos calcanhares. Novos meios de atingir o coração.
Novas artérias.
Outro salgar dos suores. Outros suores.
Outras queixas. Outros vazios recheados.
Outros recheios vazios.
Outras tentações.
Outras perspectivas.
Outras visitas.
Outro vagão.
Impenetráveis tecidos.
Insustentáveis entranhas.
Perpétuas perguntas.
Inumeráveis questões.
Um cálice que se descobre
De um vinho que se desconhece.
Um sol que se queima. Um novo raio a apontar.
Poeira lavada. Novas atribuições.
Algumas tristezas.
Outras, confissões.
Um tanto de rio inovador.
Um sonoro canto que pertuba.
Novas escamas. Novos cortes.
Sangue que brilha em outro tom.
A ponte indefesa. A verdade dita.
O ponto que não se sabe.
A suposição.
Um tanto de terra a queimar os pés.
Um tanto de céu convidativo.
As distintas tomadas de rumo.
As impenetráveis questões de opinião.
As práticas não reveladas.
As mentiras de antemão.
Os poros que denunciam
Os novos ares que enveredam.
Dos caminhos, fantásticas alegorias
Dos valentes percalços dos medos.
As novas cidades, destemidas estradas.
Novas fontes de dor.
Novas alegrias, periferias
Em todo novo pudor.
Páginas repletas, infindáveis.
Novos recortes. Palácios. Pequenas maldades.
Uma sugestão que nasce
De um porto que se descobre ao vento.
Um cobertor de retalhos.
Um novo descobrir-se. Tão forte. Tão lento.
Uma farpa fincada em pele escondida.
Sabores que inflamam
Novas inflamações.
Novas curas. Tentativas. Supertições.
Novas racionalidades. Novas maneiras.
Novas peregrinações.
Novas poesias.
Sintaxes. Signos.
Magias.
Novos terraços.
Estrelas em posições diversas.
Novas cores. Novas luas. Novas notas em quimeras.
Novos erros. Novos perdões.
Novas mãos que se queixam.
Novas compreensões.
Novos silêncios deixados.
Novos túmulos sem enterrados...
Novas reticências que não se bastam.
Novos pontos que interrogam.
Novas e tantas exclamações!!!!!!!!!!!!!
Novos bosques temerosos
De destemidos novos corações.
Novas passagens de luz.
Novas vozes ao pé do ouvido.
Um pouco mais de mistério
Não julgando o desconhecido.
Ah! Novas inspirações sem palavras...
Novas palavras que se desconectam.
Novos sentidos amantes.
Novos paradoxos que se acertam.
Novas novatas.
Novas recusas. Receios. Passeatas.
Novas crenças de estimação.
Novos olhares.
Novo sertão.
Uma flor que não se sabia
Dum deserto inóspito.
Duma ausência não calculada. Perdida.
Partida. Estilhaçada.
Um novo motivo.
Nova razão de viver.
Novas doces mentiras
Em novo doce querer.
Novos pretextos. Textos.
Novos poemas.
Novas parcelas.
Novas prisões. Novos crimes. Novas celas.
Novos vorazes. Novos sonhos de entrave.
Novas formas de pecar
Os mesmos novos pecados.
Novos aindas.
Novos até. Novos que já se iam.
Novos que se esbarram.
Novas esquinas. Novas escadas. Novas pausas.
Novos números da sorte.
Novos enfoques
E conceituações.
Novas imagens formadas. Folhagens, paisagens.
Novas questões de honra.
Novos egos. Inconscientes.
Novas validações.
Novas histórias etéreas.
Novas paixões.
Um breve relance.
A nova oportunidade.
O convite. A saga. A chance. A vontade.
Novas esperas. Relógios descompassados.
Novos passos que correm, um tanto desajeitados.
Novos patamares. Novos pódios.
Novas desejadas medalhas.
Novos nomes. Novos nomes perseguidos
Para os antigos novos questionamentos.
Para esse novo solo destemido
De uma nova melodia de acalento.
Como querer ser aquele dono ímpeto da verdade
Se há tão novas maneiras de felicidade...?
Por que dissertar sobre tudo e qualquer coisa
Se um lado sem o outro é realidade que açoita?
Levado em conta o tempo que se esvai,
Como acreditar na verdade que nunca se trai?
Sendo os sonhos tão belos amantes,
E o outro a ponte escarlate
Como pensar ser sentinela de realidade?
Vendo o rio que passa sem pestanejar,
Como ter num viver o só dissimular?
Por que ter que dar nome a cada nova paisagem,
Se a emoção nos retira a capacidade?
Por que ter em mãos finitas todos os conceitos mágicos
Se na vida o que se vê é um ponto mais trágico?
Por que não permitir-se ser pura e simplesmente
Já que o peito implora que se sinta, que se tente?
Desses novos percalços que cantei versos acima,
O outro é o vasto Universo, que embebeda.
Que fascina.
Tanta gente que vive.
Em tanta gente se esbarra.
Em cada qual, uma nota.
Uma gota.
Uma estrada.
No outro, a resposta?
A tão só limitação.
Do ilimitado terraço. Do encontro pagão.
Vezes quente. Vezes frio.
Vezes violação.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Ponto de partida, ponto de chegada.
-->
Queixa frequente escutada é a que versa sobre a sensação de
vergonha que invade as pessoas no momento em que elas são elas mesmas e isso é
motivo de desdém alheio (ou de simples inequivalência de terceiros com o que fora exteriorizado).
Dos desdéns, uns, verdadeiros.
Outros falsos, sendo esses, geralmente advindos de situações em que os respectivos agentes necessitam de tal prática para manterem a barba dos seus egos vorazes bem aparada.
No início, uma aparente concordância. "Sim amiga, você cometeu uma insensatez sendo sincera." "Sim amigo, você foi um idiota. Valorize-se da próxima vez."
Dos desdéns, uns, verdadeiros.
Outros falsos, sendo esses, geralmente advindos de situações em que os respectivos agentes necessitam de tal prática para manterem a barba dos seus egos vorazes bem aparada.
No início, uma aparente concordância. "Sim amiga, você cometeu uma insensatez sendo sincera." "Sim amigo, você foi um idiota. Valorize-se da próxima vez."
Porém, por uma sinapse
que eu diria milagrosa, a elucidação do fato que transborda a alma invade toda
a existência sem pedir licença nem por favor!
Ela se basta a agradecer a nós, os sujeitos que permitem que ela se dê.
Ela se basta a agradecer a nós, os sujeitos que permitem que ela se dê.
A elucidação é o
peso largado. É Cristo caminhando livre sem cruzes que o atormente.
A elucidação é o farol que ilumina essas sombras que tentam nos convencer de que a transparência é vergonhosa. "Afinal, onde estaria o amor próprio?"
Se houve desdém ou qualquer atitude similar do outro perante o peito aberto, isso versa sobre o outro. Digo, a atitude do outro, a reação, não transforma as nobres ações em ações quaisquer.
A reação do outro não transforma a ação sucedida.
Da vergonha perante o canto uma vez cantado diante de ouvidos que se fecham, as amarras da liberdade, dessa única liberdade, que é a de poder manifestar o que se passa por dentro.
A elucidação é o farol que ilumina essas sombras que tentam nos convencer de que a transparência é vergonhosa. "Afinal, onde estaria o amor próprio?"
Se houve desdém ou qualquer atitude similar do outro perante o peito aberto, isso versa sobre o outro. Digo, a atitude do outro, a reação, não transforma as nobres ações em ações quaisquer.
A reação do outro não transforma a ação sucedida.
Da vergonha perante o canto uma vez cantado diante de ouvidos que se fecham, as amarras da liberdade, dessa única liberdade, que é a de poder manifestar o que se passa por dentro.
Da liberdade, palavrinha essa que acarreta conceitos e mais conceitos filosóficos, retiro para mim um sentido que me assegura uma doce leveza ao existir:
Liberdade é respeitar os próprios sentimentos a ponto de não valorizá-los de acordo com a tabela de valores conferida pelo outro.
A tabela do outro, mera consequência circunstancial daquilo que o outro é, que pode ou não nos agradar. Apenas isso. Simplesmente isso.
A questão da valorização do outro, acaba por gerar a transformação do próprio sentimento pelo outro, tendo em vista a existência de uma urgência de vida que nos empurra, mas a isso não se associa o valor do que se sentiu, ou do que se pensara ter se sentido um dia.
Pelo menos, não deveria ser objeto de associação.
Cada sentimento que se sente, um órgão que nasce.
Cada imaginação sobre o nascimento de um sentimento, um órgão que lateja.
Nossos sentimentos dizem mais sobre nós do que sobre aqueles que pensamos a que se destinam esses tais nossos sentimentos.
E isso é de uma liberdade tamanha! Incrível! Fantástica, diria.
É necessário que não se confunda.
"Consequência circunstancial", expressão redundante, mas necessária, vista a disassociação recorrente de tantos que cá habitam, o mundo dos viventes.
Liberdade é respeitar os próprios sentimentos a ponto de não valorizá-los de acordo com a tabela de valores conferida pelo outro.
A tabela do outro, mera consequência circunstancial daquilo que o outro é, que pode ou não nos agradar. Apenas isso. Simplesmente isso.
A questão da valorização do outro, acaba por gerar a transformação do próprio sentimento pelo outro, tendo em vista a existência de uma urgência de vida que nos empurra, mas a isso não se associa o valor do que se sentiu, ou do que se pensara ter se sentido um dia.
Pelo menos, não deveria ser objeto de associação.
Cada sentimento que se sente, um órgão que nasce.
Cada imaginação sobre o nascimento de um sentimento, um órgão que lateja.
Nossos sentimentos dizem mais sobre nós do que sobre aqueles que pensamos a que se destinam esses tais nossos sentimentos.
E isso é de uma liberdade tamanha! Incrível! Fantástica, diria.
É necessário que não se confunda.
"Consequência circunstancial", expressão redundante, mas necessária, vista a disassociação recorrente de tantos que cá habitam, o mundo dos viventes.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Decifra-te ou devoram-te.
Há o enigma da esfinge.
Decifra-me ou devoro-te.
Uns o reproduzem.
Há paciência?
O mundo urge. Grita. Há lanternas dos afogados por aí.
Há desencontros. Há problemas. Sangue.
O que se almeja?
Ah...a transparência concedida. O abaixar das armas. O olhar sem medo.
A confissão.
Os pesos descarregados.
O cais do porto. O abraço. A conversa despretenciosa.
Corpos, se nus, retrato das almas. Se não, retrato também.
No abaixar dos escudos, um ser que se sabe mortal. E vivo.
Afinal, proteger-se é evitar a vida e seus percalços?
Reter-se no banco?
Só se sabe do caminho caminhando.
A mais sólida travessia de repente enganosa, enquanto aquelas nuvens de algodão...
Ah... quando menos se espera...
Sustentam tanto.
Ou melhor, sustentam isso a que chamo de "tanto".
Sustentam o tanto.
Ah... mas e se machucar?
Sabe, criança...
Sabe o andar de bicicleta...
Você tenta. Você cai. Você se machuca. Mas você simplesmente não se contenta.
Há uma bicicleta menor. Bonita até, geralmente um tanto colorida.
Mas essa bicicleta menor é de rodinhas... É mais fácil... E você simplesmente não se contenta.
Você tenta. Você cai. Você se machuca.
E de repente você voa!
Seus pés giram e giram. O vento no rosto. Você, dona do mundo.
Mas, você cai. Mais uma vez. Um pouco mais forte. Até sangra!
Você chora. Alguém te socorre. Ou não.
Você se levanta. Joelho ralado. Bicicleta empoeirada.
Olhos menos úmidos.
Você retorna ao posto. Senta mais uma vez no seu banquinho inventivo.
E passeia. Passeia por bosques. Cachoeiras. Mares. Cidades de outono.
Vagueia por primaveras. Colhe um buquê com os olhos. E sorri.
Ah! Mas você torna a cair. Retorna ao chão.
Se adulto, pensa: ah! o mesmo chão! Não pode ser. É.
Se criança: ah! Um novo chão. E que paisagem diferente!
O machucado já não machuca tanto...
Quantas paisagens diferentes ainda não a esperam?
Quantas sozinhas... sedentas de crianças e suas imaginações...
Um pingo de sangue cai. Dois, até.
Joelho mais forte agora.
O que tem adiante?
Decifra-me ou devoro-te.
Uns o reproduzem.
Há paciência?
O mundo urge. Grita. Há lanternas dos afogados por aí.
Há desencontros. Há problemas. Sangue.
O que se almeja?
Ah...a transparência concedida. O abaixar das armas. O olhar sem medo.
A confissão.
Os pesos descarregados.
O cais do porto. O abraço. A conversa despretenciosa.
Corpos, se nus, retrato das almas. Se não, retrato também.
No abaixar dos escudos, um ser que se sabe mortal. E vivo.
Afinal, proteger-se é evitar a vida e seus percalços?
Reter-se no banco?
Só se sabe do caminho caminhando.
A mais sólida travessia de repente enganosa, enquanto aquelas nuvens de algodão...
Ah... quando menos se espera...
Sustentam tanto.
Ou melhor, sustentam isso a que chamo de "tanto".
Sustentam o tanto.
Ah... mas e se machucar?
Sabe, criança...
Sabe o andar de bicicleta...
Você tenta. Você cai. Você se machuca. Mas você simplesmente não se contenta.
Há uma bicicleta menor. Bonita até, geralmente um tanto colorida.
Mas essa bicicleta menor é de rodinhas... É mais fácil... E você simplesmente não se contenta.
Você tenta. Você cai. Você se machuca.
E de repente você voa!
Seus pés giram e giram. O vento no rosto. Você, dona do mundo.
Mas, você cai. Mais uma vez. Um pouco mais forte. Até sangra!
Você chora. Alguém te socorre. Ou não.
Você se levanta. Joelho ralado. Bicicleta empoeirada.
Olhos menos úmidos.
Você retorna ao posto. Senta mais uma vez no seu banquinho inventivo.
E passeia. Passeia por bosques. Cachoeiras. Mares. Cidades de outono.
Vagueia por primaveras. Colhe um buquê com os olhos. E sorri.
Ah! Mas você torna a cair. Retorna ao chão.
Se adulto, pensa: ah! o mesmo chão! Não pode ser. É.
Se criança: ah! Um novo chão. E que paisagem diferente!
O machucado já não machuca tanto...
Quantas paisagens diferentes ainda não a esperam?
Quantas sozinhas... sedentas de crianças e suas imaginações...
Um pingo de sangue cai. Dois, até.
Joelho mais forte agora.
O que tem adiante?
domingo, 17 de junho de 2012
We better run better run faster with the music! ;D
-->
Rádio ligado. Música maravilhosa tocando. Túnel
de repente!
Onde foi parar a música? Por que era logo aquela tão boa? É Murphy agindo?
Resta-nos continuar a cantá-la na esperança de que ela retorne ao final do túnel!
Continuamos e de repente ela ali novamente! Ela volta na mesma parte que estamos. Fomos juntas. Por dentro do túnel, eu. E ela no espaço entre os satélites que ama, vagando por aí em suas ondas incompreensíveis e fascinantes!
É dessa sensação que me proponho a falar. Dessa sensação de quando o túnel acaba e a música volta. Volta na mesma parte que estamos cantando. Sensação de encontro perfeito, regido pelo destino. Ela realmente só poderia estar ali, naquela parte, naquele segundo, naquela nota. Onde mais estaria se a conheço do início ao fim? Ali, ela companheira. Ela, viajante que retorna. Ela, abraço emocionante de reencontro! Não há solidão solitária. Mas a vibrante sensação de se estar acompanhado por quem nos traz as mais vastas emoções.
E quem é “quem”?
Uma canção, porção de notas unidas celebrando a vida. Porção de notas unidas que nos põe no centro da roda e nos instiga a dança espontânea, descomprometida. Fantástica!
Um dia, eu e uma amiga em um táxi. Situação idêntica. Nós estávamos num táxi. Túnel. Reclamamos. Paramos de cantar. O taxista disse que a gente deveria continuar a cantar. Ah! Continuamos, enfim. O túnel era tão longo!
Pensamos, inclusive, que a música havia acabado. E de repente! Ela volta!
Ela volta junto com as luzes da cidade, com o céu de estrelas, que mesmo nublado estava repleto delas! Ela volta com o ar menos poluído do final de um túnel.
Ela volta. Alta. Imponente. Não convida à dança espontânea.
Não se trata de convite.
Ela, tão sedutora, não nos deixa outra saída.
Deixo um vídeo um tanto Colírio! ;D
Onde foi parar a música? Por que era logo aquela tão boa? É Murphy agindo?
Resta-nos continuar a cantá-la na esperança de que ela retorne ao final do túnel!
Continuamos e de repente ela ali novamente! Ela volta na mesma parte que estamos. Fomos juntas. Por dentro do túnel, eu. E ela no espaço entre os satélites que ama, vagando por aí em suas ondas incompreensíveis e fascinantes!
É dessa sensação que me proponho a falar. Dessa sensação de quando o túnel acaba e a música volta. Volta na mesma parte que estamos cantando. Sensação de encontro perfeito, regido pelo destino. Ela realmente só poderia estar ali, naquela parte, naquele segundo, naquela nota. Onde mais estaria se a conheço do início ao fim? Ali, ela companheira. Ela, viajante que retorna. Ela, abraço emocionante de reencontro! Não há solidão solitária. Mas a vibrante sensação de se estar acompanhado por quem nos traz as mais vastas emoções.
E quem é “quem”?
Uma canção, porção de notas unidas celebrando a vida. Porção de notas unidas que nos põe no centro da roda e nos instiga a dança espontânea, descomprometida. Fantástica!
Um dia, eu e uma amiga em um táxi. Situação idêntica. Nós estávamos num táxi. Túnel. Reclamamos. Paramos de cantar. O taxista disse que a gente deveria continuar a cantar. Ah! Continuamos, enfim. O túnel era tão longo!
Pensamos, inclusive, que a música havia acabado. E de repente! Ela volta!
Ela volta junto com as luzes da cidade, com o céu de estrelas, que mesmo nublado estava repleto delas! Ela volta com o ar menos poluído do final de um túnel.
Ela volta. Alta. Imponente. Não convida à dança espontânea.
Não se trata de convite.
Ela, tão sedutora, não nos deixa outra saída.
Deixo um vídeo um tanto Colírio! ;D
sábado, 9 de junho de 2012
A criança em nós.
Pais, crianças como nós.
Cresce-se e a descoberta: acolher, função recíproca.
Crianças.
Crianças, fizeram o melhor que pensaram.
Gratidão aos meus.
Crianças, fizeram o melhor que pensaram.
Gratidão aos meus.
O sentimento é o que importa.
Amor maternal aos pais.
Nossas crianças.
"A gente encontra o próprio estilo, quando não consegue fazer as coisas de outra
maneira".
(Paul Klee)
Incrível esse próprio estilo de tudo!
Próprio estilo de andar.
Próprio estilo de poetizar.
Próprio estilo de amar.
Encontrei-o. Senti-me livre.
Não há amarras que o retroceda
Nem há argumentos que o enfraqueça.
Não há teorias que o combata.
Há pura e simplesmente a liberdade de ser.
Que se dá nas brechas, que se dá nas entrelinhas.
Que se dá nos odores.
Que se dá na saliva. Que se dá na garganta.
Que se dá nos rins.
Que filtra o que invade.
Que filtra o que resta.
Que filtra aquilo que há em mins.
Estilo próprio, o respirar.
Aprende-se?
Próprio estilo de poetizar.
Próprio estilo de amar.
Encontrei-o. Senti-me livre.
Não há amarras que o retroceda
Nem há argumentos que o enfraqueça.
Não há teorias que o combata.
Há pura e simplesmente a liberdade de ser.
Que se dá nas brechas, que se dá nas entrelinhas.
Que se dá nos odores.
Que se dá na saliva. Que se dá na garganta.
Que se dá nos rins.
Que filtra o que invade.
Que filtra o que resta.
Que filtra aquilo que há em mins.
Estilo próprio, o respirar.
Aprende-se?
Respeita-o.
É entidade. É pai de santo.
É divindade.
O simples tanto!
Ser o que se é. Encontrar-se no espelho de uma esquina.
De uma vez por todas, encontra-se.
É entidade. É pai de santo.
É divindade.
O simples tanto!
Ser o que se é. Encontrar-se no espelho de uma esquina.
De uma vez por todas, encontra-se.
Percebe-se.
Ama-se.
E o amor a todos os outros nasce.
E o amor a todos os outros nasce.
Nasce o amor particular.
Sem rococós.
Sem lirismos.
Sem idealizações.
Nasce um amor puro.
Nasce um amor puro.
Filho da compreensão.
Do outro, a certeza do eu.
De mim, a certeza do outro.
Curioso.
-
A primeira tela pintada por mim foi uma versão de Senecio de Paul Klee.
Eu era criança e queria pintar o mais parecido possível, pois me foi ensinado que copiar perfeitamente o existente era capacidade apenas dos talentosos.
Todo o resto que não se soubesse ser igual não era fruto do talento bruto.
Meu Senecio ficou parecido, mas o fiz boquiaberto.
Hoje entendo o porquê de estar boquiaberto.
Algo em mim já gritava: surpreenda-se diante do velho.
Surpreenda-se em suas versões.
Crie a antropofagia. Abra a sua boca para a deglutição.
Crie a antropofagia. Abra a sua boca para a deglutição.
Seja você.
Tirarei uma foto do meu Senecio e colocarei aqui depois.
Acaso?
Tirarei uma foto do meu Senecio e colocarei aqui depois.
Acaso?
Não creio.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Eis!
Céu cinza. Mar cinza.
Eis que surge diante de meus olhos uma velhinha de cabelo roxo!
O céu estava tão cinza, que difícil era encontrar algum tom azulado nele.
Sem sombras de dúvida, o cabelo da velhinha era o que havia de mais azulado por ali, entre mares e céus!
Eu parei por um instante. Queria fotografar com meus olhos seus passos decisivos pela orla. Estava do outro lado da rua.
Instante perfeito para a fotografia!
De súbito, a lembrança de uma das lições de uma escritora de noventa anos, chamada Regina Brett: Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
Lembrei também de uma conversa com amigos no qual o assunto era justamente o cabelo roxo das velhinhas! Um deles disse, roubando-nos as gargalhadas: Ah! Essas velhinhas de cabelo roxo...Elas têm o meu respeito!
Ontem, comendo uma pizza com uma amiga, que certamente não espera ficar velha para ser excêntrica, contei do episódio!
Ela, acabando com toda a minha fantasia, fez a revelação: Isso é um choque químico de um produto que elas passam. Elas não podem nem pintar o cabelo. Têm que esperar o roxo sair.
Poxa... E agora? Ah! E agora eu finjo que não me foi direcionado tamanho balde de água fria! Logo ontem que fazia tanto frio...
Continuo a nutrir especial apreço por elas, pois, se o roxo não é escolha, passa a ser no momento que saem às ruas e continuam desfilando, colocando acessórios roxos que combinam com a cabeleira, continuam rindo, sendo felizes!
Nós, mulheres, ficamos ligeiramente incomodadas quando nossos cabelos não estão nos agradando... ( com todo o eufemismo da palavra!)
Imagina se uma de minhas amigas, fica por “choque químico” com o cabelo roxo! Ah imagina eu...
Ah! Sem sombras de dúvida, as velhinhas de cabelo roxo são de causar inveja, querendo ou não, aos céus nublados!
E repito, com grande apreço à palavra: Ah! Essas velhinhas de cabelo roxo...Elas têm o meu respeito!
Bom dia nublado a todos!
Que cada um encontre sua cabeleira roxa diária! (com todo o humor que o duplo sentido há de conferir!)
Au Revoir!!!!
Eis que surge diante de meus olhos uma velhinha de cabelo roxo!
O céu estava tão cinza, que difícil era encontrar algum tom azulado nele.
Sem sombras de dúvida, o cabelo da velhinha era o que havia de mais azulado por ali, entre mares e céus!
Eu parei por um instante. Queria fotografar com meus olhos seus passos decisivos pela orla. Estava do outro lado da rua.
Instante perfeito para a fotografia!
De súbito, a lembrança de uma das lições de uma escritora de noventa anos, chamada Regina Brett: Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
Lembrei também de uma conversa com amigos no qual o assunto era justamente o cabelo roxo das velhinhas! Um deles disse, roubando-nos as gargalhadas: Ah! Essas velhinhas de cabelo roxo...Elas têm o meu respeito!
Ontem, comendo uma pizza com uma amiga, que certamente não espera ficar velha para ser excêntrica, contei do episódio!
Ela, acabando com toda a minha fantasia, fez a revelação: Isso é um choque químico de um produto que elas passam. Elas não podem nem pintar o cabelo. Têm que esperar o roxo sair.
Poxa... E agora? Ah! E agora eu finjo que não me foi direcionado tamanho balde de água fria! Logo ontem que fazia tanto frio...
Continuo a nutrir especial apreço por elas, pois, se o roxo não é escolha, passa a ser no momento que saem às ruas e continuam desfilando, colocando acessórios roxos que combinam com a cabeleira, continuam rindo, sendo felizes!
Nós, mulheres, ficamos ligeiramente incomodadas quando nossos cabelos não estão nos agradando... ( com todo o eufemismo da palavra!)
Imagina se uma de minhas amigas, fica por “choque químico” com o cabelo roxo! Ah imagina eu...
Ah! Sem sombras de dúvida, as velhinhas de cabelo roxo são de causar inveja, querendo ou não, aos céus nublados!
E repito, com grande apreço à palavra: Ah! Essas velhinhas de cabelo roxo...Elas têm o meu respeito!
Bom dia nublado a todos!
Que cada um encontre sua cabeleira roxa diária! (com todo o humor que o duplo sentido há de conferir!)
Au Revoir!!!!
ps: Inconformada com o fato de o roxo advir necessariamente de choque químico, encontrei um blog de uma cabeleireira que diz vender tintas roxas a velhinhas que desejam dar um brilho lilás aos cabelos! Ah! Agora fiquei ainda mais contente! ;D
terça-feira, 5 de junho de 2012
De balão balançar.
Escrevi há algumas horas...
ÃO.
Nas cartinhas, palavrinhas em repetição: perfeito, perfeita,
perfeição.
Tempo que passa. Olhos à direção.
Estradas múltiplas...
Tempo que passa. Olhos à direção.
Estradas múltiplas...
Caminhos em trilhos.
Peregrinação.
Nas cartas, palavras: não perfeitas, nem o serão.
Nas cartas, um quê de verdade, de percepção.
Os heróis, humanos agora.
Não mais: Eu te amo. Você, perfeição.
Nas cartas, palavras: não perfeitas, nem o serão.
Nas cartas, um quê de verdade, de percepção.
Os heróis, humanos agora.
Não mais: Eu te amo. Você, perfeição.
Do que é feito o amor?
Uma dissera: das incompreensões.
Outra, ainda: de amar os defeitos.
Uma dissera: das incompreensões.
Outra, ainda: de amar os defeitos.
Digo que sem defeitos, o amor não se dá.
Ama-se a brecha entre o sim e o não.
O pedido de desculpas, filho da ofensa.
O pedido de desculpas, filho da ofensa.
O abraço, da reconciliação.
Ama-se o laço, pós estiramento.
Ama-se o laço, pós estiramento.
O riso, pós violação.
Sem falhas...
Sem choros...
Sem pontes...
...ama-se tão somente a idealização.
Que é vaga, que é solta, que é ventilação.
O amor se dá nas esquinas que sangram.
Nas roseiras que não se poupam.
Sem choros...
Sem pontes...
...ama-se tão somente a idealização.
Que é vaga, que é solta, que é ventilação.
O amor se dá nas esquinas que sangram.
Nas roseiras que não se poupam.
Nos lastros em formação.
O amor tem um quê de cuidado. Tem um quê de espera. De
aceitação.
O amor é o que cede. É o que teima.
É que pede perdão.
O amor é o que cede. É o que teima.
É que pede perdão.
O amor é o que tenta. É o que insiste.
É pisada descalça. É o chão.
É pisada descalça. É o chão.
É o que olha e sabe: da repercussão.
Entende-se a proa. Estende-se a isca.
É a única saída. Única chegada.
Única embarcação.É última escada. Salgada quimera.
É evolução.
Escrito agora...
Entusiasmada pela vida, que só posso ver com os meus olhos,
sentir com o meu tato, provar do meu paladar e ouvir dos meus ouvidos...
O outro é onde me diferencio e me assemelho.
O outro é a afirmação de mim.
Não é amor vaidoso e pedante.
Minha impotência diante do mundo é vasta.
Mas não fossem todos os sentidos, memória e afetos em mim resididos, a vida não o seria,
pois vida existe para cada um que a prova.
Amando-a tanto, a descoberta de amando-me tanto.
Amo o instrumento próprio que me permite senti-la.
E amo uma força vital que me permite ser instrumento.
É. É amor que inunda. É amor que cerca. É o transbordar.
Não é falsa ilusão. Não é prepotência, nem soluçar.
O amor não sobra. Dissipa-se num dissipar repentino.
Quando se vê, já se foi.
Quando se vê, o amor transfigurou-se.
E não sobrou amor demais para contemplar-se.
A vida é que se contempla.
O amor não dorme. Nós é que dormimos.
Assim... ama-se sonhando.
Outros que vêm, que vieram.
Que virão.
domingo, 3 de junho de 2012
Céu.
O canto da sala é um lugar.
Não fique no canto da sala. Dizem. Digo.
Não fique no canto da sala. Dizem. Digo.
Ne reste pas!
Porém...
O canto da sala é um lugar do qual se pode sair.
Não é poço sem fundo e sem paredes. Não. O canto da sala não é buraco negro.
Desses, eu digo: Não se atreva.
Mas quanto ao canto da sala...
Porém...
O canto da sala é um lugar do qual se pode sair.
Não é poço sem fundo e sem paredes. Não. O canto da sala não é buraco negro.
Desses, eu digo: Não se atreva.
Mas quanto ao canto da sala...
Rester ou Ne rester pas?
O que determinaria o conselho?
Ah... o tempo! O tempo que se fica. Le temps qui on reste.
Do canto, uma visão diferente do todo.
Do todo, uma vez conhecido o canto, uma visão diferente do mesmo.
Sem tabus. Medos engessados.
Sem monstros perversos.
O canto é uma lágrima. Algumas.
É pensar a lágrima escorrida.
É o castigo no qual a professora diz ao aluno rebelde: fica olhando pra parede.
Vá à parede. Olhe a parede. Veja-a.
Qual a sua cor?
O que ela evoca?
De uma cor, um arco-íris.
E desse arco-íris que nos dizem ter sete cores...
Mil tonalidades!
E dessas mil...
Tonalidades inumeráveis...
Sentimentos.
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