quarta-feira, 27 de junho de 2012

Decifra-te ou devoram-te.

 Há o enigma da esfinge.
 Decifra-me ou devoro-te.
 Uns o reproduzem.
 Há paciência?
 O mundo urge. Grita. Há lanternas dos afogados por aí.
 Há desencontros. Há problemas. Sangue.
O que se almeja?
Ah...a transparência concedida. O abaixar das armas. O olhar sem medo.
A confissão.
Os pesos descarregados.
O cais do porto. O abraço. A conversa despretenciosa.
Corpos, se nus, retrato das almas. Se não, retrato também.
No abaixar dos escudos, um ser que se sabe mortal. E vivo.
Afinal, proteger-se é evitar a vida e seus percalços?
Reter-se no banco?
Só se sabe do caminho caminhando.
A mais sólida travessia de repente enganosa, enquanto aquelas nuvens de algodão...
Ah... quando menos se espera...
Sustentam tanto.
Ou melhor, sustentam isso a que chamo de "tanto".
Sustentam o tanto.

Ah... mas e se machucar?
Sabe, criança...
Sabe o andar de bicicleta...
Você tenta. Você cai. Você se machuca. Mas você simplesmente não se contenta.
Há uma bicicleta menor. Bonita até, geralmente um tanto colorida.
Mas essa bicicleta menor é de rodinhas... É mais fácil... E você simplesmente não se contenta.
Você tenta. Você cai. Você se machuca.
E de repente você voa!
Seus pés giram e giram. O vento no rosto. Você, dona do mundo.
Mas, você cai. Mais uma vez. Um pouco mais forte. Até sangra!
Você chora. Alguém te socorre. Ou não.
Você se levanta. Joelho ralado. Bicicleta empoeirada.
Olhos menos úmidos.
Você retorna ao posto. Senta mais uma vez no seu banquinho inventivo.
E passeia. Passeia por bosques. Cachoeiras. Mares. Cidades de outono.
Vagueia por primaveras. Colhe um buquê com os olhos. E sorri.

Ah! Mas você torna a cair. Retorna ao chão.
Se adulto, pensa: ah! o mesmo chão! Não pode ser. É.
Se criança: ah! Um novo chão. E que paisagem diferente!
O machucado já não machuca tanto...
Quantas paisagens diferentes ainda não a esperam?
Quantas sozinhas... sedentas de crianças e suas imaginações...
Um pingo de sangue cai. Dois, até.
Joelho mais forte agora.

O que tem adiante?



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