terça-feira, 5 de junho de 2012

De balão balançar.





Escrevi há algumas horas...







ÃO.

Nas cartinhas, palavrinhas em repetição: perfeito, perfeita, perfeição.
Tempo que passa. Olhos à direção.
Estradas múltiplas...
Caminhos em trilhos.
Peregrinação.

Nas cartas, palavras: não perfeitas, nem o serão.
Nas cartas, um quê de verdade, de percepção.
Os heróis, humanos agora.
Não mais: Eu te amo. Você, perfeição.

Do que é feito o amor?
Uma dissera: das incompreensões.
Outra, ainda: de amar os defeitos.
Digo que sem defeitos, o amor não se dá.
Ama-se a brecha entre o sim e o não.
O pedido de desculpas, filho da ofensa.
O abraço, da reconciliação.
Ama-se o laço, pós estiramento.
O riso, pós violação.

Sem falhas...
Sem choros...
Sem pontes...
...ama-se tão somente a idealização.
Que é vaga, que é solta, que é ventilação.

O amor se dá nas esquinas que sangram.
Nas roseiras que não se poupam.
Nos lastros em formação.

O amor tem um quê de cuidado. Tem um quê de espera. De aceitação.
O amor é o que cede. É o que teima.
É que pede perdão.

O amor é o que tenta. É o que insiste.
É pisada descalça. É o chão.
É o que olha e sabe: da repercussão.
Entende-se a proa. Estende-se a isca.

É a única saída. Única chegada.
Única embarcação.
É última escada. Salgada quimera. 
É evolução.





Escrito agora...


Entusiasmada pela vida, que só posso ver com os meus olhos, 
sentir com o meu tato, provar do meu paladar e ouvir dos meus ouvidos... 
O outro é onde me diferencio e me assemelho. 
O outro é a afirmação de mim.
Não é amor vaidoso e pedante. 
Minha impotência diante do mundo é vasta.
Mas não fossem todos os sentidos, memória e afetos em mim resididos, a vida não o seria, 
pois vida existe para cada um que a prova.
Amando-a tanto, a descoberta de amando-me tanto. 
Amo o instrumento próprio que me permite senti-la.
E amo uma força vital que me permite ser instrumento.
É. É amor que inunda. É amor que cerca. É o transbordar.
Não é falsa ilusão. Não é prepotência, nem soluçar.
O amor não sobra. Dissipa-se num dissipar repentino.
Quando se vê, já se foi. 
Quando se vê, o amor transfigurou-se. 
E não sobrou amor demais para contemplar-se.
A vida é que se contempla.
O amor não dorme. Nós é que dormimos.
Assim... ama-se sonhando. 
Outros que vêm, que vieram.
Que virão.




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