Na volta para casa, o encontro surpresa com uma amiga minha.
Durante o caminho, ela me disse que estava indo a um restaurante que teria uma reunião de astrólogas que atenderiam as pessoas por um preço bem justo.
Ela me convidou. Eu, curiosa, aceitei.
Fizemos o caminho contrário ao habitual e no meio do caminho, ele.
O pequeno andava desamparado naquele vai e vem de pessoas. Chovia e ele se molhava.
Próximo a ele, a rua. A rua de carros que não o veriam.
Ele miava. Um gatinho preto no caminho para a astróloga, um caminho que passou a existir por conta de um encontro também inesperado com uma amiga querida.
Resolvi pegar o gatinho. O seu coração batia muito forte. Ele não queria ficar no colo.
Disse a minha amiga que o levaria ao veterinário. Ela me aconselhou a ir ao restaurante primeiro para colocar meu nome na lista de espera. Lá fomos nós: eu, ela e o ser ainda sem nome.
Ao chegar lá, a mãe da minha amiga não acreditou no que estava vendo! Ela ria da minha atitude inusitada! Minha amiga com o gatinho no colo, levou um susto quando ele pulou em cima da mesa! Foi tão engraçado... Nunca me esquecerei do momento em que ela levou o susto, pegou o gato e saiu correndo do restaurante!!!!
Coloquei o meu nome na lista, despedi-me e fui atrás de um veterinário 24h.
Ao chegar no veterinário, contei o que se passara. Eu não sabia sequer o sexo do animal.
Minha amiga achava que era fêmea, mas algo me incomodava, pois eu já havia me acostumado a chamá-lo de "ele". Algo me dizia que era macho. Volto a dizer que ele era muito pequeno, o que ainda impossibilitava o reconhecimento instantâneo!!
O veterinário o pegou no colo e disse: É um rapaz!
A secretária, que preenchia a ficha, logo me fez a pergunta desafiadora:
Qual o nome dele?
De repente, eu, um ser miúdo no meu colo e o poder designado a mim de escolher um nome para ele.
Que poder mais angustiante! Ele simplesmente se chamaria o que eu quisesse.
De repente a pergunta desafiadora e reveladora:
Qual o nome dele?
Agora não era mais eu e um gato.
Agora era eu e um ser digno de ter um nome que dissesse mais sobre ele do que sobre mim.
Não era como escolher a cor do esmalte. Era semelhante ao ato de escolher o nome de uma poesia.
A diferença é a de que as poesias, depois de escritas, sussurram seus títulos a mim com mais facilitade.
Será que ele sussurrava o seu nome?
De uma coisa eu sabia! Ele era digno de um nome de presença! De um nome que invocasse presença de espírito! E não de qualquer espírito!
De repente, o nome diante de mim! Daquele segundo em diante, não o imaginava com outro nome.
Era como um título que não se permite outro.
Rousseau. Rousseau é o seu nome.
Sentei para escrever e ele me encontrou aqui no escritório.
Ele está brincando com os meus pés! Arranha um pouco essa brincadeira, mas nada que o amor não cure!
Meu bom selvagem! O sol lá fora da janela com rede... Agora já não podemos ter janelas sem redes...
Tampouco corpos que têm o direito de chegar em casa e dormir sem que procurem pela sorte de cada dia para perguntá-la: Como foi o seu dia?
Tenham um dia de sorte! Desejo que cada um encontre o gatinho preto de cada dia!
Voilà!
Avante!
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
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