Instantes de inspiração não são aqueles que as palavras vêm ao meu encontro.
Sinto-me inspirada quando não descubro uma sequer.
São instantes da mais pura alegria.
Aliás, existiria alegria menos pura?
Talvez seja a única, em sua pureza.
A alegria coloca as palavrinhas para dormir mais cedo, dá-lhes um beijo no rosto.
Assim, podemos sair para passear. Cada reencontro, um primeiro encontro.
Podemos fazer o que quisermos. Estou só, estamos a sós.
Nossa despedida não é sofrida.
Ela me deixa na casa em que já conheço os móveis.
Fico a vontade. Sou a guardiã das minhas crianças adormecidas.
Quando vou dormir, sinto a ligeira impressão de ter meu rosto acariciado.
Penso, por um instante, que ela ainda está comigo.
É tão tênue o limite entre a sensação presente e a sua lembrança.
Adormeço, enfim. Sonho com o balanço daqueles passos.
Na manhã seguinte, as crianças pulam em minha cama.
―Mamãe! Queremos passear aonde a sua amiga lhe levou ontem!
Fecho meus olhos e me sinto acariciada.
Confesso ter me esforçado, mas não recordei o caminho.
Não sei como dizer não às minhas crianças, mas só o recordo
quando a alegria vem ao meu encontro.
Nesse instante que escrevo, a alegria está sussurrando no meu ouvido tão de pertinho.
Estou inspirada. As palavras não vieram ao meu encontro.
Algumas quem sabe...
Talvez aquelas que descreveram isso que não sei dar nome.
As principais, a alegria não sussurra.
A melodia da música do vídeo abraça o que escrevi.
Come away with me - Norah Jones
terça-feira, 31 de março de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Incondicional
Um monólogo que dialoga.
Dê-me a mão.
Vamos andar juntas na beira desse precipício.
Vamos brincar de descobrir novas cores nas tonalidades mais acinzentadas.
Como dar minha mão se é a sua própria?
Como o fazer?
Querida, não se preocupe.
Estarei aqui o tempo todo.
Até os seus últimos dias. Mesmo após.
Estou ocupada em meus pensamentos. Poderia me ensinar em outro dia como dar a mão que é sua e nem sabia?
O tempo foi você que inventou. Não existe o outro dia.
Existe esse instante que consegui fazê-la me ouvir.
Não o desperdice.
Ora, mas quem é você?
Como consegue sussurrar tão bem ao ponto de me convencer que fala de dentro de mim? Como consegue, gritar sussurrando, de maneira que ninguém mais ouça?
Já lhe disse: as preocupações não cabem nesse instante.
Esse instante é tão vasto. Não há espaço para receios.
Acredite em mim. Isso basta.
Há algum obstáculo entre mim e você que não me permitia ouvi-la?
Querida, os seus questionamentos são as barreiras que nos separam. Não há como distinguir a razão da emoção, assim como não há maneira de desvencilhar-se de mim.
Então estará sempre comigo, mesmo nas minhas falhas?
Inclusive.
Você me culpará?
Eu a farei ter compaixão de si mesma.
Por que me ama tanto?
Não é por ser bondosa, minha amiga. Não há outro jeito. Nascemos juntas.
Somos almas conflitantes. Almas amigas, apesar dos pesares que criamos para nos separar.
Saiba que o amor é recíproco, mas há um pingo de bondade minha.
Dê-me a mão.
Vamos andar juntas na beira desse precipício.
Vamos brincar de descobrir novas cores nas tonalidades mais acinzentadas.
Como dar minha mão se é a sua própria?
Como o fazer?
Querida, não se preocupe.
Estarei aqui o tempo todo.
Até os seus últimos dias. Mesmo após.
Estou ocupada em meus pensamentos. Poderia me ensinar em outro dia como dar a mão que é sua e nem sabia?
O tempo foi você que inventou. Não existe o outro dia.
Existe esse instante que consegui fazê-la me ouvir.
Não o desperdice.
Ora, mas quem é você?
Como consegue sussurrar tão bem ao ponto de me convencer que fala de dentro de mim? Como consegue, gritar sussurrando, de maneira que ninguém mais ouça?
Já lhe disse: as preocupações não cabem nesse instante.
Esse instante é tão vasto. Não há espaço para receios.
Acredite em mim. Isso basta.
Há algum obstáculo entre mim e você que não me permitia ouvi-la?
Querida, os seus questionamentos são as barreiras que nos separam. Não há como distinguir a razão da emoção, assim como não há maneira de desvencilhar-se de mim.
Então estará sempre comigo, mesmo nas minhas falhas?
Inclusive.
Você me culpará?
Eu a farei ter compaixão de si mesma.
Por que me ama tanto?
Não é por ser bondosa, minha amiga. Não há outro jeito. Nascemos juntas.
Somos almas conflitantes. Almas amigas, apesar dos pesares que criamos para nos separar.
Saiba que o amor é recíproco, mas há um pingo de bondade minha.
sábado, 21 de março de 2009
Um somente de exclusividade.
Transcendente.
Não é amor, é necessidade. Casualmente a necessidade ama. Escrever me parece uma urgência, e o amor não é urgente. Pelo menos, não o deveria ser.
São aquelas pedrinhas que mexo na beira de um precipício, das mais coloridas até mesmo as monocromáticas. Ou melhor, até as mais monocromáticas, pois há sempre aquela que o senso comum diz só ter uma cor e que de vez em quando me revela uma nova tonalidade.
Corro desesperadamente até a beira do precipício. Brinco e guardo comigo as pedrinhas mais preciosas. Guardo ou descubro, ainda não sei. Despenco buraco acima, proeza que preenche.
Os raios de sol perfuram o meu ser e outras cores são doadas às minhas pedrinhas. Não estavam guardadas no bolso. Eu estava nua.
Cores e cores do universo dentro de mim. É quando descubro que não trago nada daqui, nada de lá. Trago somente as cores de tudo daqui, de quase tudo de lá. Um somente de exclusividade.
A descoberta carrega a intensidade eterna daquilo que escrevo. Basta parar de escrever para que tudo se torne mais incompreensível. Talvez não mais difícil de compreender e sim mais difícil de compreender o que faz sentido, sem ir de encontro às palavras. A simples e complexa sensação de sentir o que me transcende.
A nudez liberta. Entro no mundo dos raios solares capazes de mudar as cores do que carrego. Não é física. É espiritual.
Necessito da escrita para viver, se pouco ou muito agrada, não me importa. Quando leio algo que escrevi, nesses momentos de precipício, não sei se é bom ou ruim.
Não é amor, é necessidade. Casualmente a necessidade ama. Escrever me parece uma urgência, e o amor não é urgente. Pelo menos, não o deveria ser.
São aquelas pedrinhas que mexo na beira de um precipício, das mais coloridas até mesmo as monocromáticas. Ou melhor, até as mais monocromáticas, pois há sempre aquela que o senso comum diz só ter uma cor e que de vez em quando me revela uma nova tonalidade.
Corro desesperadamente até a beira do precipício. Brinco e guardo comigo as pedrinhas mais preciosas. Guardo ou descubro, ainda não sei. Despenco buraco acima, proeza que preenche.
Os raios de sol perfuram o meu ser e outras cores são doadas às minhas pedrinhas. Não estavam guardadas no bolso. Eu estava nua.
Cores e cores do universo dentro de mim. É quando descubro que não trago nada daqui, nada de lá. Trago somente as cores de tudo daqui, de quase tudo de lá. Um somente de exclusividade.
A descoberta carrega a intensidade eterna daquilo que escrevo. Basta parar de escrever para que tudo se torne mais incompreensível. Talvez não mais difícil de compreender e sim mais difícil de compreender o que faz sentido, sem ir de encontro às palavras. A simples e complexa sensação de sentir o que me transcende.
A nudez liberta. Entro no mundo dos raios solares capazes de mudar as cores do que carrego. Não é física. É espiritual.
Necessito da escrita para viver, se pouco ou muito agrada, não me importa. Quando leio algo que escrevi, nesses momentos de precipício, não sei se é bom ou ruim.
Leio e penso: sou eu.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Somente um dos meus poemas.

O respingo que fosse.
Todas as rosas são lindas.
Todas lutam para desabrochar.
Sim, têm espinhos. Mas o que me importa?
Não são más. Cabe a nós saber tocá-las.
Tocar como se nunca tivéssemos pousado as mãos em outra sequer.
Com cautela.
Cada toque é um novo caminho, com diferentes aromas e espinhos.
Não há rosas iguais.
A dor de cada espinho faz a distinção. Não somente dessas, mas de nossa habilidade no toque.
Suas mãos estão feridas? Não chores.
Logo, logo o aroma das flores invadirá seu campo.
Tantas são. Pequenas, enormes, discretas, sorrisos.
A que te feriu ainda escorre teu sangue.
Esse pedaço manchado de ti não sairá de repente.
A dor pode não ser forte para lutar, mas deixa respingos.
O espinho permaneceu na rosa.
Os respingos foram tão pequenos que a rosa não se deu conta.
O espinho a feriu.
O restinho de sangue feriu a todos os outros.
Não havia mais escudos.
Sem defesas a rosa tocou a outra.
Sangrou seu sangue dessa vez.
Lembrou-se do sangue de outrora.
Todas as rosas são lindas.
Todas lutam para desabrochar.
Sim, têm espinhos. Mas o que me importa?
Não são más. Cabe a nós saber tocá-las.
Tocar como se nunca tivéssemos pousado as mãos em outra sequer.
Com cautela.
Cada toque é um novo caminho, com diferentes aromas e espinhos.
Não há rosas iguais.
A dor de cada espinho faz a distinção. Não somente dessas, mas de nossa habilidade no toque.
Suas mãos estão feridas? Não chores.
Logo, logo o aroma das flores invadirá seu campo.
Tantas são. Pequenas, enormes, discretas, sorrisos.
A que te feriu ainda escorre teu sangue.
Esse pedaço manchado de ti não sairá de repente.
A dor pode não ser forte para lutar, mas deixa respingos.
O espinho permaneceu na rosa.
Os respingos foram tão pequenos que a rosa não se deu conta.
O espinho a feriu.
O restinho de sangue feriu a todos os outros.
Não havia mais escudos.
Sem defesas a rosa tocou a outra.
Sangrou seu sangue dessa vez.
Lembrou-se do sangue de outrora.
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