sexta-feira, 27 de março de 2009

Incondicional

Um monólogo que dialoga.

Dê-me a mão.
Vamos andar juntas na beira desse precipício.
Vamos brincar de descobrir novas cores nas tonalidades mais acinzentadas.

Como dar minha mão se é a sua própria?
Como o fazer?

Querida, não se preocupe.
Estarei aqui o tempo todo.
Até os seus últimos dias. Mesmo após.

Estou ocupada em meus pensamentos. Poderia me ensinar em outro dia como dar a mão que é sua e nem sabia?

O tempo foi você que inventou. Não existe o outro dia.
Existe esse instante que consegui fazê-la me ouvir.
Não o desperdice.

Ora, mas quem é você?
Como consegue sussurrar tão bem ao ponto de me convencer que fala de dentro de mim? Como consegue, gritar sussurrando, de maneira que ninguém mais ouça?

Já lhe disse: as preocupações não cabem nesse instante.
Esse instante é tão vasto. Não há espaço para receios.
Acredite em mim. Isso basta.

Há algum obstáculo entre mim e você que não me permitia ouvi-la?

Querida, os seus questionamentos são as barreiras que nos separam. Não há como distinguir a razão da emoção, assim como não há maneira de desvencilhar-se de mim.

Então estará sempre comigo, mesmo nas minhas falhas?

Inclusive.

Você me culpará?

Eu a farei ter compaixão de si mesma.

Por que me ama tanto?

Não é por ser bondosa, minha amiga. Não há outro jeito. Nascemos juntas.
Somos almas conflitantes. Almas amigas, apesar dos pesares que criamos para nos separar.

Saiba que o amor é recíproco, mas há um pingo de bondade minha.

3 comentários:

  1. EIi ..
    tudo bem ??
    descobri seu cantinho aqui.
    Po como q ninguém aprecia isso, muito irado os poemas, foi vc q escreveu ? se foi eu já disse q vc escreve bem pra caramba.. hehe..
    um beijão

    Luiz

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  2. Lembra-me um pouco Herman Hesse (almas conflitantes), mas de forma diferente. Almas Femininas. Não existe o lobo da estepe. Estou errada? bjs

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  3. Não sou "anônima" . Eu e a minha luta com a internet, além das almas femininas conflitantes rsrsr
    bjs
    Cláudia Reina

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