sábado, 21 de março de 2009

Um somente de exclusividade.

Transcendente.

Não é amor, é necessidade. Casualmente a necessidade ama. Escrever me parece uma urgência, e o amor não é urgente. Pelo menos, não o deveria ser.
São aquelas pedrinhas que mexo na beira de um precipício, das mais coloridas até mesmo as monocromáticas. Ou melhor, até as mais monocromáticas, pois há sempre aquela que o senso comum diz só ter uma cor e que de vez em quando me revela uma nova tonalidade.
Corro desesperadamente até a beira do precipício. Brinco e guardo comigo as pedrinhas mais preciosas. Guardo ou descubro, ainda não sei. Despenco buraco acima, proeza que preenche.
Os raios de sol perfuram o meu ser e outras cores são doadas às minhas pedrinhas. Não estavam guardadas no bolso. Eu estava nua.
Cores e cores do universo dentro de mim. É quando descubro que não trago nada daqui, nada de lá. Trago somente as cores de tudo daqui, de quase tudo de lá. Um somente de exclusividade.
A descoberta carrega a intensidade eterna daquilo que escrevo. Basta parar de escrever para que tudo se torne mais incompreensível. Talvez não mais difícil de compreender e sim mais difícil de compreender o que faz sentido, sem ir de encontro às palavras. A simples e complexa sensação de sentir o que me transcende.
A nudez liberta. Entro no mundo dos raios solares capazes de mudar as cores do que carrego. Não é física. É espiritual.
Necessito da escrita para viver, se pouco ou muito agrada, não me importa. Quando leio algo que escrevi, nesses momentos de precipício, não sei se é bom ou ruim.
Leio e penso: sou eu.

3 comentários:

  1. LINDO..LINDO..LINDO..LINDO..LINDO..LINDO...

    É impressionante as belezas do teu ser que transforma em lindas palavras.

    Te amo,
    mãe
    Cláudia

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  2. Nathália,
    vc. tem o dom da palavra. Sua escrita tão feminina e madura nem combina com a sua idade. Puxou a sua mãe duplamente.
    Parabéns, estou muito impressionado.

    Um abraço das Minas Gerais,
    pepe

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  3. Nathália,

    recebi este endereço por envio da coruja...

    Guardei-o, no primeiro momento, sem tempo para ver com calma e por perceber que temos angústias em comum.

    Portanto, foram dois os motivos que me fizeram não opinar à vontade: parcialidade e identidade.

    Confesso ainda que já escrevi muito, mas deixei o mundo me podar e parei. Hoje somente escrevo por forte paixão.

    Entretanto, devo admitir que ao ler os teus textos (o que faço com uma incômoda frequencia), eles mexem comigo.

    E, creio, esta é uma das funções da escrita: mexer. Poderia seguir falando diversas outras "opiniões", mas me limito a pensar que você está no caminho certo: MEXA!!!

    Fidelis

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