segunda-feira, 16 de março de 2009

Somente um dos meus poemas.




O respingo que fosse.

Todas as rosas são lindas.
Todas lutam para desabrochar.
Sim, têm espinhos. Mas o que me importa?
Não são más. Cabe a nós saber tocá-las.


Tocar como se nunca tivéssemos pousado as mãos em outra sequer.
Com cautela.
Cada toque é um novo caminho, com diferentes aromas e espinhos.
Não há rosas iguais.
A dor de cada espinho faz a distinção. Não somente dessas, mas de nossa habilidade no toque.


Suas mãos estão feridas? Não chores.
Logo, logo o aroma das flores invadirá seu campo.
Tantas são. Pequenas, enormes, discretas, sorrisos.


A que te feriu ainda escorre teu sangue.
Esse pedaço manchado de ti não sairá de repente.
A dor pode não ser forte para lutar, mas deixa respingos.


O espinho permaneceu na rosa.
Os respingos foram tão pequenos que a rosa não se deu conta.
O espinho a feriu.
O restinho de sangue feriu a todos os outros.


Não havia mais escudos.
Sem defesas a rosa tocou a outra.
Sangrou seu sangue dessa vez.
Lembrou-se do sangue de outrora.

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