Instantes de inspiração não são aqueles que as palavras vêm ao meu encontro.
Sinto-me inspirada quando não descubro uma sequer.
São instantes da mais pura alegria.
Aliás, existiria alegria menos pura?
Talvez seja a única, em sua pureza.
A alegria coloca as palavrinhas para dormir mais cedo, dá-lhes um beijo no rosto.
Assim, podemos sair para passear. Cada reencontro, um primeiro encontro.
Podemos fazer o que quisermos. Estou só, estamos a sós.
Nossa despedida não é sofrida.
Ela me deixa na casa em que já conheço os móveis.
Fico a vontade. Sou a guardiã das minhas crianças adormecidas.
Quando vou dormir, sinto a ligeira impressão de ter meu rosto acariciado.
Penso, por um instante, que ela ainda está comigo.
É tão tênue o limite entre a sensação presente e a sua lembrança.
Adormeço, enfim. Sonho com o balanço daqueles passos.
Na manhã seguinte, as crianças pulam em minha cama.
―Mamãe! Queremos passear aonde a sua amiga lhe levou ontem!
Fecho meus olhos e me sinto acariciada.
Confesso ter me esforçado, mas não recordei o caminho.
Não sei como dizer não às minhas crianças, mas só o recordo
quando a alegria vem ao meu encontro.
Nesse instante que escrevo, a alegria está sussurrando no meu ouvido tão de pertinho.
Estou inspirada. As palavras não vieram ao meu encontro.
Algumas quem sabe...
Talvez aquelas que descreveram isso que não sei dar nome.
As principais, a alegria não sussurra.
A melodia da música do vídeo abraça o que escrevi.
Come away with me - Norah Jones
Você existe mesmo?
ResponderExcluirEspero que saiba o quanto me inspira.
eu não te acho bonita. loira e com esse sorriso nessa boca cheia de dentes. mas você é intensa, como uma fera cheia de sonhos, gostos, música, vento. alguém que se encante. pouco te conheço ainda. quem sabe mais. um beijo. apareça. arrisque. rs.
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