sábado, 30 de junho de 2012

Horizonte horizontal.


Os livros que eu não li. Os sonhos que eu não tive. As músicas que não ouvi.
Os filmes não vistos. As peças não assistidas. Os lugares aermos.
Os aromas que desconheço. As imagens não reveladas.
As perguntas que não me fiz.

As lembranças não vivenciadas. As texturas diversas.
Os sons irreproduzíveis.

Os temperos do mistério.
Os olhares desafiadores.
Os novos portais.

Os novos passos de dança.
As novas expressões.

As novas manias. Novas teorias.
Os novos calores.

As novas propostas.
As novas saídas. As novas respostas.

Um templo diferenciado.
Uma religião que é.
Um soluço que não se sabia.
Circunstâncias vizinhas.

Novos calcanhares. Novos meios de atingir o coração.
Novas artérias.
Outro salgar dos suores. Outros suores.
Outras queixas. Outros vazios recheados.
Outros recheios vazios.
Outras tentações.

Outras perspectivas.
Outras visitas.
Outro vagão.

Impenetráveis tecidos.
Insustentáveis entranhas.
Perpétuas perguntas.
Inumeráveis questões.

Um cálice que se descobre
De um vinho que se desconhece.

Um sol que se queima. Um novo raio a apontar.
Poeira lavada. Novas atribuições.
Algumas tristezas.
Outras, confissões.

Um tanto de rio inovador.
Um sonoro canto que pertuba.

Novas escamas. Novos cortes.
Sangue que brilha em outro tom.

A ponte indefesa. A verdade dita.
O ponto que não se sabe.
A suposição.

Um tanto de terra a queimar os pés.
Um tanto de céu convidativo.

As distintas tomadas de rumo.
As impenetráveis questões de opinião.
As práticas não reveladas.
As mentiras de antemão.

Os poros que denunciam
Os novos ares que enveredam.
Dos caminhos, fantásticas alegorias
Dos valentes percalços dos medos.

As novas cidades, destemidas estradas.
Novas fontes de dor.
Novas alegrias, periferias
Em todo novo pudor.

Páginas repletas, infindáveis.
Novos recortes. Palácios. Pequenas maldades.

Uma sugestão que nasce
De um porto que se descobre ao vento.

Um cobertor de retalhos.
Um novo descobrir-se. Tão forte. Tão lento.

Uma farpa fincada em pele escondida.
Sabores que inflamam
Novas inflamações.

Novas curas. Tentativas. Supertições.

Novas racionalidades. Novas maneiras.
Novas peregrinações.

Novas poesias.
Sintaxes. Signos.
Magias.

Novos terraços.
Estrelas em posições diversas.
Novas cores. Novas luas. Novas notas em quimeras.

Novos erros. Novos perdões.
Novas mãos que se queixam.
Novas compreensões.

Novos silêncios deixados.
Novos túmulos sem enterrados...

Novas reticências que não se bastam.

Novos pontos que interrogam.
Novas e tantas exclamações!!!!!!!!!!!!!
Novos bosques temerosos
De destemidos novos corações.

Novas passagens de luz.
Novas vozes ao pé do ouvido.
Um pouco mais de mistério
Não julgando o desconhecido.



Ah! Novas inspirações sem palavras...
Novas palavras que se desconectam.
Novos sentidos amantes.
Novos paradoxos que se acertam.

Novas novatas.
Novas recusas. Receios. Passeatas.

Novas crenças de estimação.
Novos olhares.
Novo sertão.

Uma flor que não se sabia
Dum deserto inóspito.
Duma ausência não calculada. Perdida.
Partida. Estilhaçada.

Um novo motivo.
Nova razão de viver.
Novas doces mentiras
Em novo doce querer.

Novos pretextos. Textos.
Novos poemas.
Novas parcelas.
Novas prisões. Novos crimes. Novas celas.

Novos vorazes. Novos sonhos de entrave.
Novas formas de pecar
Os mesmos novos pecados.

Novos aindas.
Novos até. Novos que já se iam.
Novos que se esbarram.

Novas esquinas. Novas escadas. Novas pausas.
Novos números da sorte.

Novos enfoques
E conceituações.
Novas imagens formadas. Folhagens, paisagens.
Novas questões de honra.

Novos egos. Inconscientes.
Novas validações.

Novas histórias etéreas.
Novas paixões.

Um breve relance.
A nova oportunidade.
O convite. A saga. A chance. A vontade.

Novas esperas. Relógios descompassados.
Novos passos que correm, um tanto desajeitados.
Novos patamares. Novos pódios.
Novas desejadas medalhas.

Novos nomes. Novos nomes perseguidos
Para os antigos novos questionamentos. 
Para esse novo solo destemido
De uma nova melodia de acalento.


Como querer ser aquele dono ímpeto da verdade
Se há tão novas maneiras de felicidade...?

Por que dissertar sobre tudo e qualquer coisa
Se um lado sem o outro é realidade que açoita?

Levado em conta o tempo que se esvai,
Como acreditar na verdade que nunca se trai?

Sendo os sonhos tão belos amantes,
E o outro a ponte escarlate
Como pensar ser sentinela de realidade?

Vendo o rio que passa sem pestanejar,
Como ter num viver o só dissimular?

Por que ter que dar nome a cada nova paisagem,
Se a emoção nos retira a capacidade?

Por que ter em mãos finitas todos os conceitos mágicos
Se na vida o que se vê é um ponto mais trágico?

Por que não permitir-se ser pura e simplesmente
Já que o peito implora que se sinta, que se tente?


Desses novos percalços que cantei versos acima,
O outro é o vasto Universo, que embebeda.
Que fascina.

Tanta gente que vive.
Em tanta gente se esbarra.
Em cada qual, uma nota.
Uma gota.
Uma estrada.

No outro, a resposta?

A tão só limitação.

Do ilimitado terraço. Do encontro pagão.

Vezes quente. Vezes frio.
Vezes violação.

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