
São tantos os livros que tenho vontade de ler, alguns na estante, outros somente títulos na memória. Faço a escolha de acordo com o momento da minha vida, não necessariamente com o que sinto afinidade. Há de se ter momentos quase egoístas, de lermos somente aquilo que fala por nós. Há de se ter momentos mais cândidos, em que procuramos os outros olhares que ainda não tínhamos descoberto. Os outros caminhos que ainda não tínhamos pisado, seja por medo de emboscadas, seja por pura ignorância.
Deparei-me com um trecho do "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa cujo heterônimo é Bernardo Soares, que me convocou a ler o livro. Não foi um convite qualquer. Foi uma solicitação da minha própria alma. Foi da alma que veio o apelo.
"Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira. Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que houvesse recebido uma fortuna - a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor.Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!"
Eles sequer tem idéia que não vivem, mas vegetam. São tão parecidos ....quase uniformes. bjs Cláudia
ResponderExcluirCada vez que venho dar uma espiada, surpreendo-me com seus textos.
ResponderExcluirNão importa os artifícios usados, a luta contra a hipocrisia é vencida por meio de opiniões audaciosas, mesmo que elas não sejam confortáveis a todos, e suas "palavrinhas" condizem a isso. Às vezes sarcásticas, outras suaves, mas sempre encantadoras.
Sinto orgulho de uma mente assim: descontrolada (no sentido literal da palavra). São de pequenas palavras que, aqui, nascem grandes opiniões. Parabéns!
Beijos
Henrique Barbosa