segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Onde está a fome de vencer a fome?
Onde está a fome de vencer a fome?
Onde está o desejo coletivo por um "governo idôneo" se, em nossa sociedade, aquele que pauta suas atitudes na ética é considerado "burro" ou, de forma eufemista, "ingênuo demais"?
Onde está o desejo coletivo por "igualdade" se, em nossa sociedade, o pequeno burguês já é ensinado a rebater qualquer inércia com o ilustre argumento de que ser solidário é equivocado, afinal o papel de reparação é do governo? Ama o emprego do sábio provérbio "Não dar o peixe, mas ensinar a pescar", porém, mal consegue compreender o sentido intrínseco de "proporcionar o ensinamento de pescar" presente no ideal das "cotas sociais", por exemplo. Acaba por não dar o peixe, e por ser contrário às urgentes alternativas do ensinamento da pescaria. Nada faz.
Onde está o desejo coletivo por "saúde pública" se, em nossa sociedade, é permitido e estimulado que existam planos de saúde como forma de investimento de empresários que percorrem o lucro por meio da lógica cruel e sistemática de dificultar o acesso médico aos mais necessitados? Como acreditar nesse desejo coletivo, se de "pacientes", passamos a ser "clientes", sob a condição excludente de termos ou não capacidade financeira para tal?
Onde está o desejo coletivo por "educação de qualidade" se, em nossa sociedade, o professor recebe um salário insuficiente para arcar com a sua moradia, alimentação, e, ainda, com o "luxo" de poder sonhar com um plano de saúde?
Ter filhos também é "luxo". Afinal, mal se pode arcar consigo mesmo, reitera-se.
Onde está o desejo coletivo por "cidadania" se, em nossa sociedade, é visto, na prática, como "cidadão", o indivíduo branco e rico?
Onde está o desejo coletivo por "segurança" se, em nossa sociedade, a violência, que muitas vezes, já se trata do produto de outra, ainda é "combatida" com uma violência posterior, sendo, ainda, a "paz" o maior argumento utilizado pelo Poder, em âmbito nacional e internacional, como princípio base para o desrespeito à dignidade humana?
Onde está o desejo coletivo pela própria coletividade se o maior ponto de união dos indivíduos acaba sendo não só o da lógica de "salve-se quem puder", mas, sobretudo, o de "ganhe quem puder", "acumule quem puder"?
Onde estamos nós? Onde estão as nossas ambições? Onde está o nosso senso de justiça sem que passe primeiramente, por nós mesmos?
Onde está o nosso discurso materializado?
Onde estão as nossas vidas? O nosso dia a dia?
Onde está a bondade que tanto desejamos para nós próprios?
Sabemos do que ela se trata? Não é de troca de favores que ela é feita.
Existe outro modo de vida em que se sabe que a vida é apenas um espaço de tempo entre duas transformações. A vida é apenas isso. Vivemos menos do que viveria a árvore assassinada, embora nos acreditemos tão mais importantes.
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