quarta-feira, 17 de março de 2010

Líquens.


Líquens tão apaixonados...em formato de coração...

O amor só pode sobreviver em uma atmosfera que o alimente com todo o ar e que concomitantemente alimente a si própria. Pois, sabe-se que o fôlego necessário vai embora de todo ser que se esquece de inspirar. Há um momento que por mais que haja desejo ardente de expirar, não há como se desfazer da quantidade ínfima de ar que trata de não deixar que o ser que ama faleça.
Desfazendo-se, há falência, seja daquele que morre de fome por entregar tudo o que lhe resta, seja do doce mutualismo que se sepulta em predação.

Autótrofos e Heterótrofos têm muito a ensinar. São raros e preciosos.

6 comentários:

  1. Adorei. Lembrou-me a novela “Uma criatura dócil” de Dostoiévski . A novela trata da opressão que pode minar/asfixiar o amor .
    O ser dócil. A docilidade que oprime, engasga, mata. Ausência de ar. Ausência de grito. Ausência de vento. Vento frio. Vento quente. Vendaval. Ventania. Ausência de chuva. Ausência de vivas-folhas- verdes-dançantes .Altas montanhas. Tulipas vermelhas. Mar-sal-ondas-bravias. Somente a paisagem sem relevo. Um ser Dócil. Gentil. Passivo. Docilidade suicida. Ao fim resta o pesado silêncio ressaltado pelo tique-taque do relógio .Quanto tempo faltará para o Outro sucumbir? Tique-taque. O silêncio que nada diz, mas tudo insinua.Tique-taque. Nada se mostra .Nada se revela.Tique-taque. Retira do ser fragilizado a defesa. Tique-taque. O silêncio e a docilidade como formas de opressão.Asfixia.
    Uma criatura dócil. Um ser asfixiado pela docilidade que não se rebela e o seu trágico fim.
    Não consigo imaginar literatura sem Dostoiévski!
    bjs
    Cláudia

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  2. Ao fim da novela, ela, sempre dócil,gentil , passiva (e oprimida)se suicida. Ele permanece em seu silêncio o qual se agiganta com o tique-taque do relógio.O som do relógio se torna maior no vazio de sua existência. Irá sucumbir? Dostoiévski nos deixa algumas pistas , as quais "discuti" com seu avô que ficou emocionado com a cena do relógio. Proust também usou o tique-taque do relógio em uma cena. Talvez inspirado nesta novela russa.
    Dostoiésvki e o seu belo relógio da sala-escritório onde escrevia, lembra? Até hoje o relógio que o literato tanto gostava permanece no horário em ele morreu. bj

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  3. Cláudia,

    Eu também fiquei emocionado ao terminar a leitura de “Uma dócil criatura”. Você não tinha me contado o detalhe sobre o relógio de Dostoiésvki.
    A ausência de “ar, ventania, vendaval, ondas bravias”, lembrou-me uma das falas da personagem Alice quando se refere ao ódio e apaziguamento que não devem ser abafados, pois asfixiam. (“Quem de nós- Uma história de amor” -Mario Benedetti ). No momento não tenho o livro para citá-la.
    Fiquei impressionado com a metáfora utilizada pela Nathália: “ Um doce mutualismo que se sepulta em predação” . Profunda e bastante reflexiva.
    As “vivas-folhas-verdes-dançantes” não fazem parte do balé das árvores?
    Abraço,
    B.

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  4. Roberto
    vento, ondas, tulipas no sentido de vida!!!!!
    Encomedei a novela de Benedetti nesta semana. abçs CR

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  5. Lindo texto sobre o amor!
    Combina muito com você... uma pessoa que tem muito pra dar, está sempre de coração aberto!

    amo-te

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  6. ahh amiga, tem um tempo ja que nao comento nos seus textos, achei esse maravilhoso, e admito q fiquei atraida pela enfase na biologia q voce deu. hehehe
    beijos gata

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