segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cisne Negro.



Cisne Negro. O primeiro contato foi com o trailer, que não me passou uma boa impressão do filme.
Achei exagerado, um pouco "trash", mas a minha curiosidade não me deixou ficar somente no campo da primeira impressão gerada por uma união de pequenas cenas.
O filme mais comentado dentre tantos interessantes que estão em cartaz!
Será que a minha impressão mudaria? Fui conferir.


Uma menina frágil, já com transtornos psicológicos inserida num contexto de extrema competição, falta de ética e pressão psicológica. Uma menina que tinha uma mãe que muitos criticaram, dizendo que era sufocante, mas que era simplesmente uma mãe que sabia perfeitamente o que pertencia a carreira do ballet, entre seus prós e contras.
Era uma mãe que via a filha inserida em um transtorno psicológico do qual ela não sabia como ajudá-la a conquistar a cura. Uma mãe sozinha, preocupada, temerosa. Como julgar?

Diante de tal contexto, uma menina que acabou enlouquecendo e tendo alucinações que a levaram para a autodestruição, defendem.
Entretanto, tive uma interpretação distinta. Ela realmente não continuou sã, já não o era.
É um fato que também acabou no caminho autodestrutivo, mas a esse ela já pertencia.
Simplesmente atingiu a intensidade máxima dos transtornos que já possuía?
Não penso que seja somente isso.


A cena final enfatiza os olhos de Nina. Vermelhos como sangue, detentores de pupilas enormes, dilatadas, quase tomando os olhos por completo.
Essa cena me levou a pensar que as suas alucinações hiperbolicamente terríveis eram fruto não somente da loucura, mas também do uso de droga, iniciado no dia que saiu com a bailarina Lily, pois os olhos não estavam diante do espelho.
Não era a Nina vendo a si própria.
Eram os olhos de Nina direcionados para os espectadores.
Olhos direcionados para mim, uma espectadora aflita diante dessas tantas alucinações violentas.


Cheguei a pensar que algumas cenas eram "trash", que eram exageradas, que eram apelativas, desnecessárias. Entretanto, o que é o exagero frente ao exagero de uma mente pertubada?
O que é o exagero frente a uma mente supostamente atingida por uma droga sintética como o ecstasy?
Por que pensar que o filme estava exagerando? Se as alucinações de Nina eram exacerbadas daquela maneira, qual a melhor forma de mostrá-las aos espectadores senão pela própria demonstração exacerbada?


Será que esses olhos tão vermelhos tinham a pretensão de deixar essa idéia subentendida?
Será que esses olhos fizeram com que minhas divagações atingissem proporções que nem mesmo faziam parte da intenção de Mark Heyman?


Há pesares em todas as profissões. A culpa dos transtornos causados não é do ballet em si.
Não é da sapatilha de ponta, dos pliês repetidos e repetidos em perfeita sintonia.
A dança liberta. A música clássica, transcende.
O instinto aprisiona. Não sempre. Mas quase!

Um ponto separa o "sempre" do "mas".
Na gramática, o correto é que se use a vírgula. Mas há instintos de sobrevivência que acabam, paradoxalmente, por destruir o ser e esses precisam ser separados por pontos. Exatos!







Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, John McLaughlin e Andrés Heinz
Com: Natalie Portman, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Mila Kunis, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo

Um comentário:

  1. Nathy,

    Surpreendi me com esse filme por diversos motivos! Só não mais, porque a Natalie sempre faz filmes otimos, e ela é uma excelente atriz!
    Superficialmente, chamou minha atençao por ser um filme serio e bom! Com tantos filmes enjoativos e bobos por ai, ver um filme taoo bem feito me animou!
    Depois, a competiçao árdua, como vc msm disse, com que nina estava se envolvendo, sentindo se ameaçada o tempo td e assombrada tbm por uma sombra..., pq, na verdade, era ela contra ela msma a td hr, foi angustiante!
    O próprio professor disse em um momento do filme que a ameaça era ela msm! e no fim, foi , né? ela nao preecisou de um inimigo para destrui-la e lhe querer mal. Ela foi sua propria inimiga..
    A ansiedade dela a destruiu...

    Uma historia e tanto né? fora que o balé apresentado no filme foi mto bonito ! a musica encaixou se perfeitamente no contexto do filme..Ficou um espetaculo e tanto a cena final!

    Aprendendo com essa historia , penso em tds as vezes que nós nos autosabotamos , sabe? Isso é taao comum! Nosso medos podem criar problemas que na verdade nao temos! Imagina só! A vida já nos apresenta tantos obstáculos e ainda criamos alguns a mais para piorar a situaçao! de fato, viver sem cautela e sem antecipar provaveis acontecimentos ruins q podem nos acontecer é irresponsabilidade e burrice! Mas, o exagero as vezes é fatal... e é uma especie de exagero que eu considero sutil, por mais estranho q possa parecer... è um exagero que desenvolvemos sem notar sua chegada...

    Bem já divaguei demais.. ahahahha

    Que bom que vc tbm se admirou com o filme como eu! Espero que ela ganhe o Oscar!!!



    Beijos, querida!!

    Carol

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