sábado, 19 de fevereiro de 2011

Adélia - Poesias de Adélia Prado

Adélia Prado. Força. Paixão. Delicadeza.
Perto de nós, ela escreve.
Íntima. Entregue.
As palavras ditas pelas atrizes da Companhia de Teatro Íntimo na peça "Adélia - Poesias de Adélia Prado" não foram meramente ditas. Não foram simplesmente repassadas aos ouvidos.
Elas foram sentidas e diante de todo o sentimento, traduzidas.
Em uma sala rústica, as atrizes transformaram o corpo numa tela em branco a todo o tempo pintada pelas almas de Adélia.
A sensualidade com a qual o trabalho artístico se desenrolou permaneceu no campo exato da sensualidade dos escritos da poeta, sem que se tornasse desnecessária.
Um pouco a mais, um pouco a menos não teria sido realizada a proeza de levar ao encontro.
A peça levou ao encontro.
Ao encontro da garra.
Ao encontro da emoção.
Ao encontro da Adélia.
Ao encontro de si próprio.

"Adélia - Poesias de Adélia Prado" em cartaz no Centro Cultural Solar de Botafogo até o dia 27 de fevereiro às sextas e sábados (21h) e aos domingos às 20h30.
Direção: Renato Farias
Elenco: Gabriela Haviaras, Fernanda Boechat e Bellatrix.




Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

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