terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
A Última Estação.
O filme transcende a vida de Tolstói.
Aquele vai de encontro às vidas dos espectadores.
Um filme que leva a uma reflexão sobre o que a ideologia é capaz de causar na vida de alguém e na vida daqueles que forem seduzidos por ela, gerando o ato de refletir sobre as próprias convicções, sobre o momento em que deixam de ser próprias e passam a ser um punho serrado nas costas de alguém, mesmo que a intenção não seja essa.
Um filme que nos faz refletir sobre a dedicação das pessoas às outras, não somente nas relações amorosas.
A dedicação da esposa de Tolstói a ele...
A dedicação do próprio a Chertkov...
A dedicação de Valentin Bulgakov a Tolstói....
A dedicação de todos a ideologias que se tornam frágeis, pois por mais fortes que sejam as ideologias, essas não apagam a importância daqueles que se dedicaram incondicionalmente aos outros, como foi o caso da mulher do autor em relação a ele.
As ideologias também não apagam a importância do nascimento dos sentimentos instintivos e a importância da permissão para que esses se desenvolvam, como foi o caso de Valentin Bulgakov ao se apaixonar por Masha.
E, sobretudo, as revoltas causadas por decepção atingem o tamanho suficiente para mostrar que há revoltas que são inevitáveis pela própria condição humana e que essas permanecem e devem permanecer num campo em que não transcendam a humanidade e amor, também inerentes à própria condição humana, por mais difícil que possa ser acreditar nesta inerência, ainda mais para os hobbesianos fidedignos!
Foi curioso observar que Valentin se sentiu a vontade para dar asas ao seu sentimento por Masha ao sentir o apoio de Sofia e de Tolstói, considerando que eles dizem para não enxergar as palavras tolstoianas de maneira radical. Caso não fosse mostrado isso a ele, como a sua vida teria se desenrolado?
Percebo a mensagem de que o propagador da idéia se torna tão importante quanto às suas idéias se mostram ser para os seus discípulos, de forma que se mais tarde um dos discípulos tiver a tentação de agir de maneira contrária a uma das idéias e for considerado um ato compreensível pelo próprio propagador da idéia, não há tanta hesitação em optar pela realização do desejo tentador, numa relação que induz a questionar se os discípulos das idéias consideram que os seus guias são de uma certa forma donos das idéias sugeridas, de forma que possam "autorizar" ou não o descumprimento das mesmas de acordo com suas novas idéias.
Penso que uma ideologia não pertença mais ao seu criador quando atingir pessoas que sejam adeptas a ela, assim como um personagem não pertence mais ao seu autor quando passa a abrigar a mente de terceiros.
Não há posse. Há referência. Ou melhor, grande referência.
Valentin se permite amar. E é fabuloso! (por mais que gere questionamento acerca da sua atitude levando-se em conta a hipótese que considera que ele poderia não ter encontrado apoio nos seus "guias")
O fato é que ele se entrega e que aprende o que é, sobretudo, o apoio a si próprio.
Direção: Michael Hoffman
Elenco: Christopher Plummer (Leon Tolstói)
Helen Mirren (Sofia Tolstói)
James McAvoy (Valentin Bulgakov)
John Sessions (Dushan)
Patrick Kennedy (Sergeyenko)
Kerry Condon (Masha)
Anne-Marie Duff (Sasha Tolstói)
Tomas Spencer (Andrey Tolstói)
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nao sei se meu comentariofoi de fato enviado! de qualquer forma vou fazer outro!
ResponderExcluirQuero mto ver esse filme! Muito interessante a parte que vc comentou o fato de o autor de uma ideologia dps de propagada nao ter mais "soberania" sobre ela ... ou melhor nao pode mais monopolizá-la ,né? Nao compartilhalha, e nao deixar que a usem , a reinventem... seria a meu ver um ato egoista! até por que a vida é assim! o que seria de nós sem as invençoes, ideias dos outros?? nós temos as nossas , é claro, mas sao fundamentais para a nossa vida o pensamento dos outros...a ajuda ideológica dos outros!
Super tangenciei o tema do texto , mas como nao vi o filme ainda, peguei essa parte que me interessei mais e comentei! hahhahah
Beijos, amiga!!
Carolina Bastos