segunda-feira, 30 de maio de 2011
Uma de minhas poesias.
Ainda não assisti o filme Crepúsculo, mas hoje escutei essa música que faz parte da sua trilha sonora. Essa música guiou uma poesia que mora dentro de mim para o papel.
Aqui ela está:
Do que chamo de eu.
Olhar o céu e conseguir enxergar o quão pequena sou diante de toda a natureza que me cerca.
Olhar o céu e perceber que a admiração à estrela independe de ela ainda estar viva ou não.
Olhar a estrela e perceber o quão breve é essa vida que chamo de minha.
Há quem diga que a estrela admirada está morta. E o que importa? O que é estar morta?
Olhando-a sinto seu brilho em cada poro que exala os sentimentos que chamo de meus.
Como fazê-la ainda mais viva? Como acreditar que esteja morta?
Escutar uma música e sentir vibrações tão fortes...
E se eu não fosse capaz de escutá-la?
De que forma sente o surdo o mesmo que sinto em cada som escutado?
De que forma sente o cego o mesmo que sinto em cada estrela refletida em minhas retinas?
De que forma sente o paralítico o mesmo que sinto quando ponho os pés a dançar sem coreografia ditada?
Não penso, nem conseguiria acreditar que eles não sentem o mesmo que eu.
Sinto que sentimos o mesmo, por vias diferentes.
A emoção existe. Ela não dorme. Nós é que dormimos.
Algumas vezes acordamos diante do ímpeto de sentir.
Pensamos que a emoção nos invadiu, quando na realidade ela já estava lá, junto a nossa capacidade de.
E o que é a realidade?
Por que acreditar que não sinto a mesma emoção do pássaro ao alçar vôos aos mais coloridos lugares?
Por não ter asas, responderiam os realistas. Mas o que é a realidade? Seria ela uma e a dos realistas outra?
Dentro de mim mora um céu.
Suas cores são aquelas que não enxergo.
Suas estrelas as almas dos meus antepassados.
Dentro de mim mora um céu que tem uma árvore que flutua.
Nessa árvore moram os ninhos, que são os sonhos meus.
Nascem os frutos que são as emoções fugazes. Que nascem. Que alimentam. E que caem ao chão.
Mas dentro de mim não há um chão.
Dentro de mim elas nascem, alimentam e ficam a dançar no vento, como sementes de um fogo que vezes queima, vezes esfria, vezes deixa até de ser reconhecido como tal.
Dentro de mim moram pássaros que seguem seus destinos.
Eles dançam. Amam. E voam pelo simples prazer de voar.
Dentro de mim moram pássaros que me acariciam ao bater as asas.
E embora, não sejam minhas essas asas de cores desconhecidas, é dentro de mim que elas voam sem limites, mesmo tendo o corpo atrelado à sua condição de existência a limitação.
Dentro de mim há alma. Ou mesmo almas.
Sonoras, mas incontáveis.
Nessa estranha e desconhecida terra do que chamo de eu.
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Apesar da história de Crepúsculo deixar a desejar, a trilha sonora é uma graça msm! Essa música que vc escolheu é linda. Tem uma que o personagem do Edward escreve no 1o filme que é o máximo tbm. Apaixonante! Vc tem que ouvir!
ResponderExcluirLinda a poesia. Também tenho interesse em saber como um surdo, cego ou paralítico focaliza seus sentidos de forma a compensar o que lhe falta. Deve ser muito interessante conhecer alguém assim melhor. Tenho certeza que eles têm muito a nos ensinar. Nós que tentamos sentir td ao msm tempo e acabamos por nao sentir nada por completo.
Beijoss, querida!
Carol
Sempre os pássaros ..... Adorei a passagem: "Dentro de mim moram pássaros que seguem seus destinos.
ResponderExcluirEles dançam. Amam. E voam pelo simples prazer de voar.
Dentro de mim moram pássaros que me acariciam ao bater as asas.
E embora, não sejam minhas essas asas de cores desconhecidas, é dentro de mim que elas voam sem limites, mesmo tendo o corpo atrelado à sua condição de existência a limitação'
bjs
Amiga, nunca deixe de escrever essas poesias maravilhosas que são carregadas de sentimentos, escritas com a alma, elas não tem preço! Que orgulho de você!
ResponderExcluirCarinhosamente,
Lívia Villela.