quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Borboletra voa poesias.



Às vezes, ao caminhar numa mata, a princípio queimada, desfolhada, nós nos deparamos com duas pedras. Uma de diamante e uma que tem tudo para ser um diamante, bastando apenas tirar as carapaças que escondem o seu centro para que descubramos do que ela se trata.

Pomos o real diamante no bolso e nos demoramos tentando tirar toda aquela carapaça dura e ressecada que fica por cima do suposto diamante. Começamos por quebrar as unhas, depois os dedos.
Sangramos naquela pedra, que passa a conter um pouco do nosso sofrimento vermelho vivo, um pouco da pressão que é ter dedos sangrentos por cima de si.

Vem o entardecer. O anoitecer. Volta a ficar claro e parece que não percebemos a real passagem do tempo. Tivessem nos dito que só nos restaria um dia e saberíamos o valor de um deles.

Nós ainda nos lembramos que há um diamante em nossos bolsos, mas isso não é tão importante quanto salvar o suposto diamante escondido entre carapaças. Vale nossas unhas, nossos dedos, nosso sangue. Nosso precioso tempo.

Às vezes, percebemos que era só uma pedra como outra qualquer. Às vezes, descobrimos que era sim uma pedra preciosa, mas ela, ao contrário da outra, descobre-se de forma quase que forçada, fica com vestígio do nosso sangue de salvadores de diamantes e sente uma pressão enorme para passar a se portar como uma preciosidade da noite para o dia, sem a menor ideia do que fazer, ela que estava tão acostumada a sobreviver em cavernas.

Passam-se alguns dias, meses ou anos e descobrimos que as lagartas precisam do seu tempo como lagartas, que os diamantes escondidos necessitam do tempo para lapidá-los, da erosão dos seus esconderijos endurecidos.
Qualquer tentativa de apressar a natureza só nos gera dedos feridos e lagartas de asas desajeitadas.

Deixar as lagartas em seus casulos é respeitá-las, e como toda atitude de respeito, faz-se refletida. Respeitando-as, respeitamo-nos.Todos têm direito aos seus casulos. Todos também aos diamantes lindos e prontos que encontram pelo caminho. Não é uma questão de sorte, apenas, mas do mérito de saber reconhecê-los.

E os bolsos? Esses não servem nem para as mãos que tímidas os procuram, tampouco para diamantes, a não ser que se queira perdê-los.

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