Dói, invariavelmente, todo peito sem anestesia
Diante da dor que silencia
Ou mesmo da dor anunciada
Dói toda empatia em demasia
Toda embarcação vazia
Toda vela retorcida
Dói cada passo no espinho
Sem retorno é o caminho
Das lições absorvidas
Dói cada palavra enrijecida
Quando a voz busca a escuta amiga
O tenro tom de um abraço
Dói a incompreensão, a fragilidade do laço.
Dói a solidão inesperada
A censura de um canto que transbordava
O risco em tela seca
Dói e a dor não é doença
Não é refúgio, desculpa ou sentença
Não é prisão da qual se fuja e se esqueça a estrada
Dói quando se pensa doer mais nada
Dói mesmo sem motivo aparente
Como pôr em palavras toda sorte de serpente?
Como explicar o inexprimível, toda lágrima inteligível?
Dói. Viver corrói.
Isso não é o fim do mundo
tampouco patologia, distúrbio das energias
Forças ocultas e diversas
Dói porque se tem um peito
E nesse peito um coração
Porque se tem ouvidos que escutam
Olhos que veem
Mente que reflete
Dói porque se está vivo.
Não doente.
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Incrível sua sensibilidade, sua capacidade de por em palavras os sentimentos...
ResponderExcluirParabéns pela criação