Quando fui ao cinema assistir "O casamento de Rachel", não havia lido sequer a sinopse, não nego. De vez em quando, vale a pena ir de encontro a um destino, sem saber o que me espera, nem que se trate apenas de um programa de domingo. É tão boa a sensação de deixar o que me aguardava se apresentar a mim parte a parte. Também é muito gostosa a ansiedade de quando vou a um local já com a expectativa do que me espera. Pois é, disse "de vez em quando".
O filme fez com que me lembrasse de várias "Rachels". A Rachel é o retrato da maioria das pessoas de nossa sociedade. Apesar de alguns problemas de família, está apaixonada e em clima de festa para o casamento com o homem da sua vida. Mesmo inserida nesse contexto, que é considerado um dos mais felizes na vida de uma mulher, segundo a nossa sociedade, ela sente falta do único componente que sua irmã Kim tem um pouco a mais em sua vida, que é a atenção da família.
Kim, é uma pessoa, que carrega consigo, um peso da vida sobre seus ombros, muito mais forte do que qualquer sentimento de carência que sua irmã possa sentir. Entretanto, mesmo com todos os seus problemas graves, Rachel é capaz de sentir inveja da irmã, pois não tolera conviver com o fato de Kim ter um pouco mais de algo do que ela.
Todo o desequilíbrio e a carência de Kim, causados pela catástrofe de sua vida, não deixam que admita para si própria que tem ao seu lado uma verdadeira víbora e não uma amiga, o que a torna incapaz de desvincilhar-se da irmã. É fácil nos afastarmos de uma pessoa invejosa quando estamos seguros e com um certo equilíbrio emocional. Porém, na situação de Kim, deixemos o julgamento moralista de lado.
As circunstâncias e cenários se modificam, mas o enredo continua equivalente em nossas teias sociais. Não importa, que vários setores da vida de uma pessoa estejam em melhores condições do que os de outra. Caso essa pessoa perceba, que a outra é um pouco melhor do que ela em algum quesito, por ser ou possuir, um pouco mais de algo, isso não será tolerado.
Infelizmente, é muito difícil para uma pessoa se conformar, que terá sempre um mais belo, mais inteligente, mais rico, mais engraçado, mais adorado, ou o mais que for. O que só chega a ser um fato infeliz, pelas consequências que a inveja de alguém pode acabar gerando na vida da outra pessoa. Entretanto, se formos refletir, segundo o fato da existência de MAIS DE 6 BILHÕES DE PESSOAS no mundo, essa falta de aceitação chega a ser nada mais, nada menos, do que cômica, não é mesmo?
Um brinde à racionalidade! Um brinde ao amor próprio!
ps: Um brinde à Anne Hathaway e ao Bill Irwan!
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