quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Orquídeas sorriem.




Não houve maneiras de escrever sem tanto "tempo tempo tempo"... e repito... tempo tempo tempo... tempo de chuva...tempo de sol...tempo de orquídea.

Não quero sinônimos.




Depois de um tempo, aprende-se que os erros dos pais não são dos filhos e que não há razão para estes responderem por aqueles.

Aprende-se que pais não são heróis e que há de ter muita cautela para não herdar os seus defeitos.
Nesse tempo, ama-se de verdade.

Percebe-se que os melhores amigos também ficam algum tempo sem dar notícias e nem por isso deixam de ser os melhores amigos.

Aprende-se a seguir em frente e felizmente, após os primeiros passos, os demais são tão leves quanto à maresia que envolve.

Nota-se que as mais lindas poesias, são muitas vezes mais especiais do que as respectivas fontes de inspiração. Mas depois de um tempo, já não importa mais.



Tempo de lembrar as lágrimas como bobagens, rios que foram.



O tempo de ser feliz? Esse nunca passa.

E o tempo de saber o tempo? Esse, só vivendo.




Intensamente.

6 comentários:

  1. Aprende-se que pais não são heróis e que há de ter muita cautela para não herdar os seus defeitos.
    Nesse tempo, ama-se de verdade”.

    Adorei!
    Ama-se de verdade, quando aceitamos o Outro como um ser humano real, com falhas, defeitos, imperfeições. Ama-se de verdade quando não buscamos incessantemente a projeção de nós mesmos no Outro. Quando não o transformamos em heróis capazes de mover o céu e a terra. Os pais não são os senhores dos céus, sempre belos e perfeitos. São homens e mulheres de “carne e osso” . Muitas vezes possuem uma imensa capacidade de amar, doar, perdoar e tentar acertar.Outras vezes, nem tanto.
    Acho que foi essa a mensagem que Dostoiévski tentou deixar ao mundo.
    Estamos em tempo de orquídeas! Elas estão gloriosas no jardim!
    bjs
    CR

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  2. Nathy, você usou o "esse" de forma certa no final do texto, pq retoma uma idéia antes exposta!! haha Não sei se deve acreditar muito em mim, mas...
    Bom, adorei! Vc ganhou mais uma leitora pro seu blog.
    Continue encantando a todos com suas palavras!
    Beijões Carol Monnerat

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  3. Nathália,
    Na verdade , Dostoévski deixou inúmeras mensagens Indispensável a leitura de "Os Irmãos karamazov" para aqueles que buscam compreender um pouco da natureza humana. Segue um texto que eu ADORO. Acho que você já conhece, pois gosto de citá-lo:
    " Há pouco antes de chegastes, sabes em que pensavas? Dizia comigo mesmo: se eu não acreditasse mais na vida,se duvidasse da mulher amada, se me desiludisse das ordens das coisas e, pelo contrário, me convencesse que tudo não passa de um maldito caos, mesmo se caíssem sobre mim todos os horrores da desilusão humana, apesar de tudo eu quereria viver. Se encostei a taça aos lábios, hei de beber até o fim (...)Perguntei muitas vezes a mim mesmo:pode haver no mundo desespero tão grande que vença essa frenética e talvez indecente sede de viver? (...) Essa sede, essa febre, é um traço característico dos Karamazov, em ti ela também existe, mas por que ela deveria ser declarada ignóbil? Ainda há muita força centrífuga em nosso planeta, Aliocha. Tem-se vontade de viver e eu vivo, mesmo que seja contra toda lógica. Que importa que eu creia ou não na ordem das coisas? Amo as tenras folhas na primavera, o céu azul e, muitas vezes, afeiçôo-me de repente a certas pessoas sem saber por quê. Amo o heroísmo humano em que talvez há muito tempo já deixei de crer, mas, apesar de tudo, venero-o por hábito, com toda força do meu coração. Eu quero viajar pela Europa, Aliocha. Sei que vou a um cemitério, mas é o mais precioso dos cemitérios. Repousam nele mortos queridos e cada pedra tumular fala de uma vida passada tão intensa, de uma apaixonada fé no heroísmo, na verdade, na ciência e na luta pelo bem, que sei que antecipadamente vou cair por terra e beijar chorando estas pedras, embora esteja convencido, de todo o coração, de que tudo isso é um cemitério e nada mais. Esse meu pranto não será de desespero, mas simplesmente de felicidade. Hei de embriagar-me com a minha própria emoção. Amo as tenras folhas na primavera e o céu azul. Não se trata de inteligência, de lógica. Ama-se com as entranhas, com o ventre, ama-se as suas primeiras forças juvenis....Compreendeste alguma coisa de meu aranzel, Aliocha? _ Ivã de repente riu.

    - Compreendo demais, Ivã -disseste-o admiravelmente e estou muito contente por sentir em ti essa ânsia de viver - exclamou Aliocha - Penso que todos deveriam amar a vida acima de tudo o mais.

    - Amar a vida mais que o seu sentido?

    - Sem dúvida alguma. Amá-la sem qualquer lógica, pois só desse modo perceber-se á o seu sentido..." ( DOSTOIÉSVSKI - OS IRMÃOS KARAMAZOV )

    Beijos
    Cláudia

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  4. Pois é...
    quem ama, ama de verdade, e para sempre. A demonstração desse amor é apenas uma prova, e esta só se faz uma vez. Depois disso, o sentimento recíproco não precisa mais ser esbanjado por aí! O subconsciente de cada um já saberá a verdade.
    TE AMO!

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  5. Fiquei muito emocionada com esse texto dos Irmãos Karamazov!
    Com certeza será o próximo livro que lerei.
    Lerei pelo grande interesse, pela expectativa de ser tocada pelas palavras e para te entender melhor, mãe.
    Ler o que é capaz de emocionar uma pessoa é entrar um pouquinho em seu íntimo. É preciso sensibilidade e esse texto quase me fez chorar.
    Te amo

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  6. Querida,

    Existe um ditado que diz que “ninguém é insubstituível”. Não concordo. Alguns grandes homens o são. Um filho é insubstituível.
    Dostoiévski , Tolstoi , Balzac e Victor Hugo são insubstituíveis. Eles possuem a capacidade de resgatar a humanidade perdida em cada ser humano. Eles possuem a capacidade de revelar tanta mediocridade escondida em máscaras de bondade.A intenção velada de cada gesto.
    “Os Irmão Karamazovi’ é uma das obras mais completas, impressionante e bela da literatura universal.
    Lembro-me quando seu avô (meu pai) falou-me da emoção que o deixou com os olhos marejados nas cenas da morte do menino Iliúcha. Cenas profundas... Lembro-me da profundidade do diálogo entre Aliocha e o monge Zózima. Lembro-me da cena do enterro de Zózima , a cena do julgamento, e tantas outras. E, lembro a grande emoção sentida ao conhecer as casas e a mesas onde Dostoievski, Balzac e Victor higo escreveram tantas obras espetaculares. Como jamais esquecerei a emoção de ter estado com você e seu pai, em Iasnaia Poliana e poder conhecer a casa intacta onde Tosltoi morou 50 anos. Lá, eu senti a Rússia do século XIX.
    Como o personagem Ivã, eu também já questionei se existe desespero no mundo que retire a sede de viver. Sim, a perda de um filho amado. È a maior dor do mundo.
    A Editora 34 relançou as obras de Dostoiévski. Atualmente é considerada a melhor tradução , pois é feita diretamente do russo através de grandes especialistas. Pretendo reler “Os Irmãos Karamazovi” da mesma forma que reli “Crime e Castigo” , obra que na minha adolescência foi fundamental na escolha da faculdade. Trocaremos muitas idéias !!! !
    Beijos,
    TE AMO,
    Cláudia

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