O encontro marcante.
E foi quando a menina cogitou que não era uma questão de azar. Ela caiu em si. Olhos um pouco mais polianos. Porque é necessário que se conheça o cascalho para que se reconheça o diamante. E ela simplesmente se deu conta de que o fundamental era o discernimento, não a busca. Afinal, não adianta lutar contra a natureza. A busca lhe dera o discernimento. E foi nisso que se fez útil. Agora já não era mais necessário analisar cascalhinhos. Ela não precisava mais de tanto tempo para saber do que se tratava.
Ou melhor, tornou-se habilidosa.
Despediu-se da caverna com um certo cansaço nas pálpebras. Com aquele calor que só o esforço traz. Foi-se.
Reclinou-se no tronco de uma árvore frondosa. Fechou seus olhos e sentiu. Sentiu o quanto era maravilhoso ter seus cabelos acariciados pelo vento. Sentiu o quanto era agradável o som das folhas dançando naquela brisa contente. Sentiu o que lhe cercava.
Sentiu-se.
E foi quando a menina respirou que não era uma questão de azar. Ela mergulhou em si. Olhos um pouco mais atentos para uma caverna peculiar. Tão dentro de si, tão longínqua outrora.
Observar mosaicos tão arraigados a fez feliz. E ela se sentiu plena. E os seus cabelos voaram de uma forma tão poética que pareciam acariciar o arvoredo. Pingos de um riacho viajaram no ar até a sua tez. Foi quando ela percebeu que não era necessário que fechasse os olhos para que se sentisse a luz.
Foi com pés corajosos e tímidos. Foi mergulhar no fluxo convidativo. Ela e seus mosaicos cristalinos.
E por um motivo que se desconhece abriu os olhos lá no fundo das águas. Se havia cascalhos não me foi dito. O relato foi de que havia luzes para todos os lados. Arco íris navegáveis. E foi. Foi com olhos corajosos e tímidos. Foi assim que o diamante a enxergou. Surpreendente como estava ali sozinho. Talvez também tivesse se cansado de cavernas calorentas.
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Lindo , Nath! Parabéns novamente amiga! ESse texto desafiou minha imaginaçao! Muito bonito... e pra variar , sem comentários sobre o comentário da sua mae.!Realemtne grandes literatos estudaram direito ! é um grande estímulo pra nós né... =]... Beijos queridaa!!
ResponderExcluirCarol
Mas eu não registrei aqui neste espaço o principal, ou seja, o quanto são delicadas tuas palavras. Belíssimo Texto!! Digo, belíssimo, belíssimo, belíssimo com todos os superlativos absolutos sintéticos e sinais de exclamação os quais temos direito para expressar nosso encantamento pela VIDA!!!! Belíssímo como você. Sem dogmas, vivendo e deixando viver...leve, fluida, luminosa no MUNDO e na VIDA.
ResponderExcluirTe amo,
Beijo,
Mãe
Maravilhoso. Sem palavras para comentar a leveza desse texto.
ResponderExcluirRefletindo à respeito...
ResponderExcluiruma pessoa pode se satisfazer com tão pouco, apenas um detalhe e atinge a plenitude.
é isso que deveria acontecer! As pessoas sentindo-se felizes mais vezes por uma coisa tão boba (pensam outras), mas acredito que aí esteja o segredo da vida... aproveitá-la ao máximo, completamente, em cheio!
beijos nat