
Sabe sabiá, tinha esquecido de contar... Logo uma abelha, acredita?
Uma abelha com medo percebeu que era o seu medo que a faria morrer. Fosse grande o quanto fosse, seu ferrão era inimigo. Um eterno inimigo em seu corpo. Como eram os espinhos da rosa que tanto queria ser tocada...como eram os pensamentos dela, da Aurora...
E o que fazer com esse ferrão que se mostra tão valente e latejante quando o medo vem? Ele parece tão confiável...parece ser a armadura insubstituível...a armadura protetora...o anjo da guarda...”E o que fazer?”
E o que fazer quando os instintos teoricamente protetores, racionalmente protetores, biologicamente protetores, se mostram dissimulados? Porque era apenas um bichinho que esbarrou... era apenas um bichinho que queria mel... era um bichinho que não queria matá-la... era um bichinho que teve o braço ferido...foi uma abelha que teve a vida retirada...ou diria...foi uma abelha suicida?
Ah! O instinto a matou...mas morrer por instinto é suicidar-se?
Pode começar a ser quando o instinto pode ser pensado, não só sentido. Pobre abelhinha que morreu! Feliz a abelha que reflete... Pobre rosa que pensa sobre seus espinhos, mas não é capaz de lutar contra eles... ah quem sabe aquela rosa que passou por mim não estava tentando o primeiro passo? Ah! Como fazia questão de exalar o paraíso... Ela estava apaixonada? Eu acho que queria mostrar que fosse triste o quanto fosse carregar aqueles espinhos...sempre estaria disposta a perfumar... Só posso dizer que a rosa amou.
Aurora sentou bem aqui embaixo de mim sabe Sabiá?! Ela tem uns pensamentos que me lembram o que os espinhos são para a rosa...Ela tem uns pensamentos que me lembram o que o ferrão é para abelha... Mas a Aurora...Sabiá...é uma abelha que pensa.
A aurora é a abelha que passou a sentir medo do medo.
A Aurora ama.
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Arlindo, acho importante responder àqueles que deixam recados para mim, mas infelizmente não sei como respondê-lo...não tenho nenhum e-mail nem nada...
Por essa razão respondo por aqui mesmo... é claro que lembro de você! Foi muito gratificante para mim saber que o que escrevi sobre o seu espetáculo chegou aos seus olhos e trouxe satisfação. =)
Afinal, conseguiu assistir "Aqueles Dois"? O que achou?
Um beijo!!
Nathália,
ResponderExcluirAdorei o texto. A fotografia e o texto por algum motivo me transportam para um lugar longínquo com o qual tenho sonhado...Tão longe...tão selvagem...tão despido de conceitos...teorias...lições....doutrinas. Apenas a natureza e a vida animal em seu estado primitivo. É na Tanzânia que fica a cratera vulcânica Ngorongoro , a maior caldeira intacta do mundo, considerada uma das maravilhas do planeta terra, não apenas pela grande beleza topográfica e a exuberante paisagem adornada pelo lago Magadi quanto pela imensa e espantosa concentração de animais de diferentes espécies que vivem livres....completamente livres . Os animais migram de um lado para o outro da cratera que possui mais de 20 quilômetros de diâmetro e uma superfície de 304 quilômetros quadrados. Leões, elefantes, zebras, gnus, gazelas, búfalos, chacais, elefantes, hipopótamos,leopardos, pássaros, entre outros bichos. Lá é considerado o melhor lugar do mundo para se ver o raro rinoceronte Negro. Talvez, por ser tão raro, seja o rinoceronte negro Baudelaire.Em Claire Bonaire fotografei no fundo mar um cardume de peixes negro Baudelaire . As margens do lago Magadi ficam repletas de flamingos. Em Bonaire e Curaçao eu tive a felicidade em observar e fotografar a elegância e a beleza dos flamingos rosados totalmente livres em lagos naturais.
O seu texto também fez com que eu me lembrasse de alguns poetas e literatos.Ao lembrar-me da natureza selvagem e dos animais , lembrei-me deles. Baudelaire esteve na Índia e na África. Conheceu Mauricio. Uma ilha de natureza selvagem. Flaubert passou quase um ano em expedição pelo Oriente. Em Iasnaia Poliana tivemos a possibilidade de ver todo o roteiro das viagens de Tosltói .Ele era um homem da terra. Um homem rústico. Vestia-se com uma espécie de túnica e botas. Viveu mais de cinquenta anos em Iasnaia Poliana no meio da natureza. Seu túmulo é de uma simplicidade franciscana. Não contém sequer lápide. È revestido por grama natural. Fica no meio da floresta, exatamente no local em que ele escutou uma lenda quando era criança sobre a felicidade . Foi lá que exigiu ser enterrado. Tinha um entusiasmo selvagem pela vida. Usou esta expressão para denominar o personagem Sierguiéi em Felicidade Conjugal. Pela forma de vida que levava era chamado de “cossaco” pelos ignorantes, o que lembra um pouco termo pejorativo “caipira” no Brasil.
È fácil entender o motivo pelo qual os grandes poetas e literatos se integram à Natureza . Eles possuem a alma selvagem. A natureza nos ensina a todo o momento a não ter medo de sermos o que somos. A não nos escondermos. A repelirmos definições limitativas impostas por outros.. Em não ser o que as pressões externas coagem todo mundo a ser. A natureza veda o anonimato.
A natureza selvagem nos ensina a não termos medo de sermos “cossacos” ou "caipiras" . Eu sei que parece "loucura", mas às vezes eu tenho a sensação que Tolstói escrevia para mim. Por isso, viajamos até Iasnaia Poliana. Eu sei que parece "insano", mas não sou eu que compreendo Tolstói, é ele, o grande homem russo da terra que me compreende. Sem medo.
beijo,
Cláudia
Mãe,
ResponderExcluirAmo quando escreve aqui! É fato que você me estimula a continuar escrevendo nesse blog, pois sempre mostra interesse por ler o que escrevo e por escrever pra mim sobre o que acabei te fazendo pensar, que nunca, jamais, é limitado.
Você é capaz de fazer relações com fatores distintos e de me fazer navegar em relações que ainda não tinham vindo visitar minha mente. Algo que escrevo hoje pode ser relacionado a uma frase que leu em um livro ou em uma viagem e isso é fascinante, pois engrandece meus conhecimentos e sensações.
Adorei a oportunidade de ter conhecido locais tão diferentes e ricos em termo de cultura e natureza. Adoro ter alguém com que possa divagar sobre os mais diversos assuntos e sentimentos.
Eu te amo mãe. Obrigada por TUDO!
Obrigada pelos devaneios a que me transporta!
Beeeeeeeeeeeeeijos
Estava aqui viajando pelo seu blog, lendo um pouco o que escreve e os comentários, sempre a altura e acrescentando algo ao texto. Cláudia sempre com comentários interessantes que me desperta a curiosidade de conhecer cada experiencia a que ela se refere, a cada beleza natural desconhecida. Até então não sabia que Cláudia era sua mãe, que surpresa, mas logo vi, que a graça da escrita vou herdada ou como você mesma comentou, incentivada, e pode acreditar está mandando muito bem. Não há nada melhor que escrever e ler bons livros e conhecer lugares e culturas diferentes. Eu tenho conhecer o máximo que posso da maneira que posso. A internet facilita muito e espero um dia gozar da experiencia de enxergar e tocar as belezas que aprecio pela telinha. Você e sua mãe estam de parabéns, deve sentir muito orgulho dela.
ResponderExcluirUm beijo grande e continue assim...
Você vai longe
2 correções
ResponderExcluir. a graça da escrita FOI herdada
. Eu TENTO conhecer o máximo
Cláudia,
ResponderExcluirAcompanho atentamente as tuas descobertas. Como gostaria de sentir o pôr-do-sol no Deserto que “nos traga com sua mistura de vermelho, amarelo e laranja vibrantes. O céu avermelhado, amarelado e alaranjado se mistura com a terra também avermelhada,amarelada e alaranjada”.
Nesta cidade o inverno está sendo muito rigoroso. Bem sei que não adianta eu reclamar, pois você repetirá que “A neve é tão linda quando cai em gelados flocos de algodão. È a neve que forma o manto branco que cobre todas as cicatrizes da terra com desenhos azulados”. Relembro o teu assombro diante de um mar de Icebergs: “ Em cada Iceberg uma escultura talhada pela natureza . Em cada Iceberg a força da vida exposta , nua, crua e tão vasta que me devassa” . Relembro teu espanto diante da imagem/paisagem do navio naufragado em alto mar . Imagens que misturam palavras e sentimentos. Teus desertos. Tuas Geleiras. Tuas profundezas: “Quantas histórias naquele naufrágio? Enquanto fotografava, pensava em quantas vidas naufragaram juntas. Quantos amores/dores/afetos/abraços naufragaram naquele navio?” .
Fico feliz que tenha transmitido ao Blog minhas palavras para Nathália que sempre demonstra uma grande sensibilidade na escrita.
Fico muito feliz com a possibilidade da tua participação no DHNF.
Enquanto isto permaneço lendo as belas palavras da Nathália complementadas pelos teus comentários que aquecem o inverno rigoroso.
Beijo,
B.
Meu querido amigo ,
ResponderExcluirResponderei em outro espaço, OK? Apesar das tuas leituras sempre atentas e do incentivo da Nathália, o Blog é um espaço dela. Resolvi “economizar” nos comentários. Não respondi antes, pois ontem foi um dia repleto de atividades. Minha pauta terminou muito tarde em razão de uma ação plúrima onde três mil trabalhadores estão representados pelo Sindicato. Contarei detalhes em e-mail pessoal. Depois tivemos reunião com a administração. Após foi o lançamento do livro de um amigo do meu trabalho. Tudo debaixo de uma chuva que engarrafou a cidade. Cheguei tarde. Hoje as audiências começaram às 8.30 hs.. Na parte da tarde tenho que cuidar da questão da pós . Estou no serviço (almoço).
Está fazendo coleção das minhas citações? Espero que somente faça coleção das “boas” citações ! rsrsr
Eu adoraria ter assistido muitos filmes nesta “gélida cidade” mesmo debaixo de 50 graus negativos! beijo
C.
Bruna,
ResponderExcluirOBRIGADA! Adorei seu comentário. beijos Cláudia
Naaat,
ResponderExcluirquanto tempo não visito seu blog, nem sei se sentiu falta, mas tenho lembrado muuito dele esses dias... enfim, os seus textos sempre são surpreendentes, e esse não fica para trás.
A sua percepção e o seu olhar acerca de temas revela uma reflexão sob tudo, (também não era de se esperar, sempre debatíamos alguns deles rsrs) ainda mais a ua forma de escrever que é tão sutil... transforma a leitura em algo prazeroso!
parabéns mais uma vez pela sua escrita!!!!
beijos