domingo, 18 de julho de 2010

Certeza.





Há uma sensação tão diferente que não sei o nome.
Sinto saudade do filho que nunca tive.
Não é simplesmente o sonho de tê-lo.
Às vezes o desejo de sentir a sua pela macia me consome. Não é simplesmente o desejo de ser mãe e de acariciar o meu bebê. Não é desejo. É saudade.
Eu sinto saudade dos seus olhos. Eu sinto saudade das suas risadas e sorrisos. Eu sinto saudade das nossas conversas e da troca de carinho.
Eu sinto essa saudade desde criança e foi hoje que percebi que se trata de saudade.
Sempre achei que fosse o maior sonho da minha vida o de ter um filho.
Hoje sei que o maior sonho da minha vida é o de revê-lo.
A maior certeza que tenho é que já fui mãe. Que já sou mãe e que sempre serei mãe.
Eu não me tornarei mãe no dia que engravidar. Essa só será a maneira física de entrar em contato com o meu filho, pois eu já conheço o seu cheiro, o seu toque, o seu olhar e sobretudo, as covinhas do seu sorriso.

2 comentários:

  1. Querida Nathália,

    Penso que o sentimento de maternidade esta muito ligado ao feminino e o ser mulher, o desejo de continuação e vida, proteção , doação e amor.
    O sentimento-instinto de proteção materno é algo extraordinário. Pesquisadores da Universidade de Oxford alegam que emoção causada ao ver o rosto de uma criança seria vital para a perpetuação da espécie humana, pois desperta o instinto de proteção no ser humano.
    È uma dádiva poder ser mãe.
    Há tanta violência e crueldade ao redor do mundo que nem os acordos de paz conseguem freia-la. Em alguns povos, os acordos de paz necessitam de exércitos aramados para mantê-los. Paradoxo da humanidade? Verificamos tal fato quando estivemos na Bósnia e o exército da ONU permanecia em plena prontidão para manter o acordo de paz firmado! O exército em prontidão com seus soldados e armas potentes no meio de crianças que brincam entre ruínas, destroços, flores e borboletas . Campos verdejantes repletos de minas que não podem ser retiradas. Campos floridos que não servem ao amor. Campos arborizados que retratam a barbárie do homem pelo homem.
    Enquanto o mundo sangra e não consegue estancar tanta acidez e violência, você sonha com as covinhas do sorriso de um filho que um dia virá. Escreve sobre a maternidade com sentimento e naturalidade dos seres não conspurcados pela amargura.. Olhos sem disfarces.

    Existem homens que não olham para dentro de si. Não se enfrentam. Vestem a máscara de bondade. E acreditam poder convencer o mundo da sua pureza. E assim colaboram para a manutenção das guerras.“ E por que reparas no cisco no olho do teu irmão e não sentes o tronco que está no teu olho?”. Mateus 7:3.
    Sim, é preciso que tenhamos o nosso mundo com seu colorido próprio, repleto de bebês sorridentes que mantém o instinto de proteção da espécie, e pessoas amigas muito queridas que nos acompanham em foguetes, pois também encontram sentido e significado especial para a existência. . Neste mundo encontramos acolhimento, amparo e força para resistir ao caos-absurdo e para militarmos em determinadas causas.. É preciso buscar a delicadeza, sempre. Ainda que nos campos minados da Bósnia.
    Mesmo nos campos minados da Bósnia existem pássaros, flores silvestres, abelhas e árvores. Um retrato da Natureza-Vida que se refaz em ciclos e se impõe ao horror criado pelo homem em sua sede de sangue.

    Alguns fragmentos de delicadezas de Manoel de Barros para você:

    “Um dia me chamaram de primitivo;
    Eu tive um êxtase.
    Igual a quando chamaram Felline de palhaço:
    E Felline teve um êxtase “
    (Retrato do Artista Quando Coisa)
    .................................................................
    “Retrato do artista quando coisa: borboletas já trocaram as árvores por mim.
    Insetos me desempenham.
    Já posso amar as moscas como a mim mesmo.
    Os silêncios me praticam.
    De tarde um dom de latas velhas se atraca em meu olho.
    Mas eu tenho predomínio por lírios.
    Plantas desejam minha boca para crescer por de cima.
    Sou livre para o desfrute das aves.
    Dou meiguice aos urubus.
    Sapos desejam ser-me.
    Quero cristianizar as águas.
    Já enxergo o cheiro do sol”
    (Retrato do Artista Quando Coisa)
    ..........................................................
    “Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
    Vou pertencer você para uma árvore.
    E pertenceu-me.
    Escuto o perfume dos rios.
    Sei que a voz das águas tem sotaque azul
    Sei botar cílios no silêncio.
    Para encontrar o azul eu uso os pássaros.
    Só não desejo cair em sensatez.
    Não quero a boa razão das coisas.
    Quero o feitiço das palavras”
    (Retrato do Artista Quando Coisa)
    TE AMO
    MÃE.

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  2. Ana Maria S.C. Bastos.22 de julho de 2010 às 19:31

    Nathália,

    Sou amiga de Cláudia e Roberto. Faço parte do grupo de estudos em assédio moral, violência invisível e cyberbulling. Sua mãe enviou um relato muito emocionado da Bósnia para todos os amigos quando vocês retornaram.Emprestou-me um filme realizado por um jornalista francês. Foi preciso coragem para assisti-lo.
    Muito bonito e sensível o seu texto. Não é de se estranhar que sinta vontade em ser mãe, tendo sido criada com tanto amor.
    Precisamos desse mundo colorido com muitos bebês sorridentes e pessoas que amamos. Roberto também é um grande amigo, pesquisador, militante de causas sociais e direitos humanos e fundamentais.
    Manoel de Barros transborda delicadezas em mundo onde o mal é banalizado.
    Parabéns pelo Blog.
    Parabéns por ser essa pesssoa tão doce.
    Um beijo com carinho,
    Ana Maria.

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