
Julgar. Por que julgamos? Por que julgamos o tempo todo? Por que nos julgamos por tantas vezes? Por que julgamos os outros?
A vida é o palco dos erros e acertos onde estamos para descobrir que uma fantasia nos veste melhor do que outra e que um cenário tem uma iluminação que nos faz sentir mais a vontade do que outra... A vida é o palco dos erros e acertos e nos julgamos a todo o tempo. Julgamos a nós próprios e os outros. E a maior síndrome de todas é a forma como julgamos os outros e sentimos extrema necessidade de não sermos julgados.
Eu vi uma moça que dançava de um jeito que achei engraçado. Ela dançava sozinha no meio de todos e num ritmo totalmente diferente da música que tocava, como se estivesse drogada. Eu achei engraçado porque eu a julguei. E a sua droga poderia ser simplesmente um estado de espírito invejável. A sua droga poderia ser simplesmente a despreocupação com a regra que dita a forma de dançar para cada ambiente e situação.
Ela estava de olhos fechados e se soltava no ar como um pássaro. Ela atraía a atenção para si. E eu me pergunto: Por quê?
Por que as pessoas estavam de algum modo perplexas com ela se o que mais necessitavam na vida era da despreocupação? Será que os olhares perplexos e as risadas maldosas eram uma expressão inconsciente da inveja delas? Quantos erros dignos de vergonha elas acabaram cometendo na vida sem que se sentissem envergonhadas? E por que a moça deveria sentir vergonha dos seus passos de dança?
(de inocentes passos de dança...)
Se a moça fosse uma criança ela não seria julgada...mas como já tinha altura e corpo de mulher ela o era.
Por que crescer faz com que diminuamos tanto a nossa liberdade?
Que crescimento é esse? Por que uma criança pode e nós não podemos?
Que tipo de convenção estabelece o que é ridículo para cada faixa etária?.
Outra coisa que julgamos muito são as pessoas que se bastam. Se uma mulher vai a um bar sozinha para beber é julgada. Uma pessoa indo a uma boate sozinha é digna de estranhamento. "No mínimo ela está buscando companhia" pensa a maioria. E eu me pergunto: Por quê? Por que a pessoa não tem o direito de sentir vontade de dançar em um lugar sozinha? Por que as pessoas acham esquisito quem se diverte sozinho? Por que é esquisito quem se basta?
Por que uma pessoa que está com muita vontade de sair para dançar tem que ficar em casa quando seus amigos tem outros compromissos?
Por que ela não pode simplesmente se satisfazer com a própria companhia sem ser julgada? A pessoa deveria ser vista com admiração não com estranhamento.
A pessoa deve ser a sua melhor companhia e não deve se sentir mal justamente por ser bem resolvida e se sentir bem-vinda por si mesma.
Meu Deus! Ela não está com um criminoso, com um pervertido...ela está em companhia de si mesma...daquela que a conhece melhor...daquela que está sempre ali quando ela está triste e feliz...daquela que sabe de todas as suas decepções...de todas as suas falhas...de todas as suas surpresas e alegrias...de todas as suas impressões e lembranças...de todas as suas maluquices e peripécias...de todos os seus hábitos e segredos...de todas as suas peculiaridades...
ela está na companhia daquela que é de fato a sua maior companheira...
que não a deixa um segundo sozinha... e ela ainda sente vergonha dessa companhia? A que ponto chegamos?
Sentir vergonha por ter como única companhia a própria companhia?.
Vergonha de nós próprios? Essa é a maior contradição de todas.
A pessoa pode conquistar diversos objetivos na vida mas não serve a si mesma para sair para dançar.
Que pessoa é essa? Uma pessoa que não se sente a vontade consigo própria é uma estranha para si mesma.
Deixemos de julgar as pessoas e passemos a amá-las.
É disso que o mundo precisa.
Por julgarmos as religiões alheias que ocorreram e ocorrem as guerras. Por julgarmos as etnias alheias que ocorreram e ocorrem guerras. Por julgarmos os gostos alheios que ocorreram e ocorrem guerras.
Por julgarmos uma pessoa que sai sozinha para dançar que continuamos tão dependentes dos outros e cada vez mais mergulhados em uma superficialidade que não nos permite nos conhecermos de fato e nos curarmos de traumas e decepções. Ninguém nesse mundo pode ser a companhia mais agradável do que a nossa própria. E se ter apenas a própria companhia é motivo de constragimento deve-se perguntar o porquê. Será que precisamos de pelo menos mais uma pessoa ao nosso lado para nos permitirmos dançar do jeito que queremos... para que não nos achemos estranhos? E por que essa necessidade de se sentir aceito?
Por que a necessidade de ter mais alguém para se fazer aquilo que já se está com vontade de fazer?
Somos mesmo estranhos uns aos outros. Somos mesmo diferentes. Cada um com sua voz, sua gestualidade, sua forma de andar, sua forma de falar, seus olhos, suas deficiências, seu cheiro, sua beleza, sua cor, sua religião, sua inclinação sexual, política, filosófica...
Não queiramos ser iguais. O fato de ter uma pessoa fazendo o mesmo que nós não nos torna menos ridículos.
O fato de nos sentirmos ridículos por estarmos sozinhos nos torna ridículos.
E devemos pensar: o que é ridículo de fato? O que é digno de se sentir vergonha? O que deveríamos apontar no mundo ao invés de pessoas que saem para dançar sozinhas e dão um show que nem ao menos percebem já que estão em uma sintonia tão profunda consigo mesmas?
Sejamos livres! Evitemos a pobreza de espírito! Evitemos as guerras!
Evitemos também a solidão...já que o caminho mais adequado para a solidão é a capacidade que temos para julgar as pessoas ao invés de as deixarmos em paz com o seu direito de expressão e individualidade...
A atitude mais digna que se pode ter com o próximo é o respeito à sua individualidade.
Só assim existe o amor verdadeiro...a amizade verdadeira...só quando paramos de querer encaixar as pessoas num molde e passamos a aceitá-las da forma que elas são...dançando de forma calma ou dando rodopios por aí...
Amemos as pessoas e admiremos as pessoas que são livres!
As pessoas que são livres ao ponto de se bastarem na própria companhia são as pessoas que mais valorizam a companhia das outras...já que realmente saem com aquelas que elas gostam de verdade, considerando que se relacionam por prazer e não por necessidade.
Se são muito felizes sozinhas e resolvem sair com uma pessoa e dividir com ela momentos de sua vida significa que realmente gostam daquela pessoa, já que ela não é necessária para que se sintam a vontade...ela é necessária porque as fazem sentir uma emoção diferente, porque as inspiram pela sua forma de ser. Ela é necessária de verdade. Ela é amada de verdade.
As pessoas livres amam de verdade e a todo o tempo se tenta retirar a liberdade dessas pessoas com comentários infelizes e olhares de reprovação...
Palavras e olhares de reprovação muitas vezes aprisionam mais do que jaulas e armamentos.
Sejamos a mudança que queremos no mundo. Se queremos a paz devemos respeitar a pessoa e tudo aquilo que a pessoa se sente a vontade. Por que querer que a pessoa deixe de se sentir a vontade com algo? Por que querer moldá-la à nossa visão? Somos os causadores das guerras.
A cada momento que tentamos moldar uma pessoa que é livre estamos construindo a guerra, porque a guerra nada mais é do que isso: uma tentativa de fazer determinadas pessoas abandonarem ideologias e atitudes próprias que são boas para elas em suas concepções.
Lutemos pela paz!
Comecemos pelas nossas relações!.

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