terça-feira, 23 de agosto de 2011
Vidas na Vida.
"Atores não mentem. Nós é que mentimos quando fingimos ser uma coisa só." Oswaldo Montenegro
Um texto meu sobre o Sobre.
Fazer do corpo uma morada acolhedora para a personagem, que nem sempre nos acolhe.
Ela já existe. Só precisa ganhar forma. Nós somos forma e conteúdo em prol do servir.
Como essa personagem pensa o que ela pensa? Por que ela pensa assim?
Quais os sentimentos calados por conta do seu lado racional?
Quais os sentimentos que surgem em impulsos? Quem ela ama? Quem ela odeia? A quem ela é indiferente?
Quando ela passou a amar e a odiar? E quando ela se deu conta disso?
O que ela faz em razão do que sente?
O que ela faz em resposta a quem a rodeia? Onde ela mora? Em que tempo da história?
Qual a sua classe social? Quais os seus medos? Quais são os desejos que ganham asas? Quais são os reprimidos?
Qual a sua idade? Como foi a sua infância? Como ela imagina a sua velhice? Ela já sabe do que se trata?
Como ela caminha? Como ela sorri?
Como ela chora? Como ela gargalha? Como ela dança? Ela chega a dançar?
Seus passos são longos ou curtos? Leves ou pesados? Seu olhar é doce, amargo, salgado, cítrico ou apimentado?
Seus movimentos carregam que visão de mundo?
Qual o mundo carregado pelos ombros a serem vestidos?
Quais as roupas que ela usa? Quais os objetos que a representam?
Quais as manias que percorrem o dia a dia?
Quais os momentos mais latentes em sua memória?
Qual o objetivo de falar o que fala? Qual o objetivo de deixar de falar o que poderia ser dito?
O que ela nunca diria? O nunca existe?
As personagens são incógnitas.
Não as decifro completamente, como também não me decifro por inteiro. Seria audacioso afirmar o contrário.
Estudo. Acredito que posso compreender boa parte que me permite vivenciar o que elas são.
O amor não parece nascer da compreensão exata e inteira daquele que é amado.
A cada segundo de vida transformadora, transformamos também o que somos.
Posso dizer que as amo. Sou profundamente grata a elas.
Independentemente do que sejam elas sempre me acrescentam.
As personagens não existem somente nas histórias contadas.
Antes de as cortinas se abrirem e após os aplausos cessarem elas continuam vivas e diferentes em cada corpo que se prestar a servi-las.
O que elas comem? O que elas comem por prazer e o que comem por necessidade?
Quais os sonhos que elas não acreditam? O que fez seus gritos serem roucos ou estridentes?
Elas cantam? Quais as músicas?
Quais são os seus segredos?
O que elas dizem querendo dizer exatamente o oposto?
Quando elas são irônicas? Elas o são?
Como é a família delas? Como são aqueles que elas realmente consideram como familiares?
Qual a cor que melhor as decifra?
Em quem elas pensam antes de dormir?
Quais os silêncios que traçaram o rumo das suas vidas?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
O que Epicuro e a Terapia Cognitiva têm em comum.
Epicuro nasceu há 341 a. C. Aaron Beck, o criador da TCC nasceu em 1921. Epicuro foi um filósofo. Beck é um médico, cientista e ...
-
Sorvete de flocos. Nunca me foram tão interessantes. Porque não há motivo de maior felicidade do que receber um cartão postal da infância...
-
Uma música. Uma composição. Um bilhetinho, que seja. Um guardanapo dobrado. Olhares. Olhares ainda mais longos. O perfume. A imaginação...
-
Vou aproveitar esse meu humilde espaço para fazer uma campanha: Poupem Nathália Reina ;) Por menos bomba. Por menos camisetas apert...

Que lindo amiga!!! Que orgulho de vc!!!
ResponderExcluirBeijos, Lívia Villela.