sábado, 21 de abril de 2012

Em Nome do Jogo.




Como é maravilhoso ser surpreendida!
Como é maravilhoso assistir uma peça instigante, que nos conduz pela mão e nos mostra nossa condição humana, que se baseia na incapacidade de prever com exatidão o que ocorrerá.
Nossa pobre condição de homem que tanto nos aflige em momentos que gostaríamos de adivinhar as consequências, para daí escolhermos os atos...
É nessa pobre condição que reside a riqueza das emoções fantásticas, visto que entre a realidade e a fantasia, o que temos são conceitos. Apenas conceitos.
 Não importa o quanto espertos nos sintamos... 
Não importa que tenhamos a sorte de adivinhar uma longa travessia (a sorte ou o estúpido azar), a certeza (uma das únicas tão certas quanto a morte) é de que em alguma esquina, prevista ou não, um acontecimento nos surpreenderá!
Pode ser um olhar, pode ser uma gota de chuva que caia em nós. 
Pode ser uma gota do ar condicionado de algum estabelecimento que caia em nós, fazendo-nos parar por um instante e ter uma revelação até então oculta, despercebida.
Pode ser um encontro com alguém. 
Pode ser a reação de alguém do qual carregamos conosco a injusta imagem velha e plana que atribuímos aos protótipos.
Pode ser... Pode ser... Pode ser...
Em “Em Nome do Jogo”, a sensação sentida foi a do encontro com esquinas tão surpreendentes, que chego a cogitar não chamá-las de esquinas da vida, mas de algo que ainda não me foi revelado, embora “esquina” me pareça uma boa metáfora.
Chego a pensar que seja injustiça revelar aqui as esquinas encontradas, pois penso ser do direito de todos encontrarem-nas também! Cada qual a sua, surpreendente!
O que posso dizer sem sentir que firo o direito de outrem à mágica é que já assisti peças que amei, que me apaixonei, que me emocionei ao ponto de sentir que havia tido um encontro espiritual comigo mesma!
Mas... Porém... Entretanto... 
Em Nome do Jogo me levou a um êxtase desconhecido até então!
O êxtase que se consumou de forma inteiramente bela nos últimos instantes do espetáculo. 
Diante de mim Marcos Caruso. 
Por meio dele, o êxtase advindo da condição fantástica de ser sempre uma aprendiz!
Eu sou uma aprendiz! E isso me emociona!
A aula de interpretação que tanto agradeço, não foi uma aula simplesmente por considerar que a sua interpretação foi maravilhosa, assim como a de Emílio de Mello.
A aula teve o seu ápice nos últimos instantes, por atingir o ápice do que se pode extrair ao máximo no uso encantador, delicado e forte da metalinguagem!
Em nome do jogo da Interpretação! Em nome do jogo do Teatro! Em nome do jogo da Arte!
Em nome do jogo da Vida! Em nome do jogo do Ser e Surpreender! Do Ser e ser surpreendido! 
Em nome do jogo da esquina. Das esquinas.
Das doces, salgadas, amargas, azedas, picantes gotas que caem em nós!
Em Nome!

Em Nome do Jogo de sexta a domingo na Maison de France.
Surpreendam-se! Na esquina, a Maison de France.
Nas esquinas internas, o que quer que seja!
Descubram-nas! Desnudem-nas!
Tenham uma boa semana!




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