terça-feira, 24 de abril de 2012
A primeira vista.
O que seria a primeira vista?
Que parte de nós a desenha?
Do que ela é feita? Ela é justa?
Ela é preconceito?
Ela é medo?
Ela é sonho?
Tão somente o permitir-se.
Há um encontro solene entre o nada e o tudo.
Eles se encontram na beira de um abismo gélido.
O frio não gela ao ponto de engessar. Trata-se de um frio de brisa oculta.
De brisa enigmática e reveladora. Contraditória em sua própria existência.
Detentora de todo o sentido, portanto.
"Nada é suficiente."
A vida seria dividida entre esses dois abismos que se tocam?
A divisão seria "tudo"?
Tudo é suficiente?
Seria?
De "A Primeira Vista" de Daniel MacIvor, emoções flutuantes de um oceano que não se deixa calar.
O Urso não foi suficiente. Do medo em comum, a união.
Ser devorado pelo urso para transforma-se em liberdade diante de paisagem poética.
Colinas... colinas...
A antropofagia salvadora.
O urso existe. Toma a exata forma dos devaneios. Veste a exata cor que nos representa o risco.
Não fosse o acampamento, não haveria o urso.
Não fosse a alegria estonteante, não haveria o medo de perdê-la.
O medo como simples afirmação do sagrado.
Sagrado. É bonito dizer "sagrado".
Dizer por dentro.
Dizer em cada gota que escorre do peito em direção aos pés.
Dizer sem palavras. Dizer simplesmente pelo ato de sobreviver.
A natureza assopra "Sagrado...Sagrado... Sagrado..."
É o sopro do silêncio que diz.
É o "brinde ao cala a boca!"
Interessante a ideia proposta de que dar nome é um ritual às poltronas confortáveis.
Por que a necessidade arraigada e adquirida de nomear as relações, os sentimentos, as próprias pessoas?
Pessoas passam a ser o nome de um grande feito ou de uma grande derrota.
Quem procura saber o pouco necessário da trajetória? (Dessa trajetória interna...)
E o que seria um grande feito? Uma grande derrota?
Como dar nome a um ser por um ato, se somos múltiplos atos, sensações, pensamentos que colorem o ambiente com nossos gestos inconscientes?
Nossos nomes limitam.
O limite alimenta a falsa sensação de liberdade.
Da liberdade, temos medo.
Ficamos com a falsa sensação.
Tornamo-nos o nome. Um nome.
É justo?
O desenho das personagens vividas pela preciosa atuação tanto de Drica Moraes quanto de Mariana Lima me permitiram enxergar as formas que se mesclam nos espelhos da vida.
As formas que não se garantem iguais, mas semelhantes, inclusive na manifestação de suas distinções.
A atuação das atrizes foi aos meus olhos uma dança de surpresas.
Um ballet em que a sincronia se dá por passos distintos em seus detalhes preciosos.
Os detalhes que diferenciam um passo do outro...
Um pé que vai para a direita não é igual a outro pé que vai para a direita.
Há um fluxo distinto em cada um deles. Há fluxos distintos que se casam, que fazem amor.
É preciso que assim o sejam, para que assim o façam. O reflexo é vida.
Duas amigas e a história instigante.
A Primeira Vista, não deixem de tê-la!
Vale a pena ir com um amigo.
Diria, um grande amigo.
Por que não fazer essa homenagem?
Amigos valem tanto...
Há aqueles que nos entendem pelo olhar.
E compartilham conosco suas supertições.
A amiga que levei me deu de presente de aniversário um patuá instantes antes de a peça começar.
Curioso. Não o abandonarei.
Em cartaz no Teatro Poeira de sexta a domingo.
Direção: Enrique Diaz
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Querida ,
ResponderExcluirAdoro as suas indicações. Também gostei muito da peça Deus da Carnificina indicada por você. Obrigada.
Sim , é preciso ser sempre aprendiz.
Releio. Releio e releio. :
(…)
“Sagrado. É bonito dizer "sagrado".
Dizer por dentro.
Dizer em cada gota que escorre do peito em direção aos pés.
Dizer sem palavras. Dizer simplesmente pelo ato de sobreviver.
A natureza assopra "Sagrado...Sagrado... Sagrado..."
É o sopro do silêncio que diz.
É o "brinde ao cala a boca!"
(..)
Repito: “ É o sopro do silêncio que diz. Ë brinde ao cala boca.” Nossa! Estou emocionada. Os seus comentários vêm da alma . Eu sei que as palavras jorram do seu ser. Não são forçadas. Um dom. Minha filha. Não esqueça: um dom.
Beijos,
Com amor e admiração, sempre.
Mãe.