Guerra. Do que adianta criticar a exploração se no dia a dia a voz é de guerra?
Do que adianta ver as flores nas calçadas intermitentes se as despedaça em questão de segundos?
Do que adianta estender o braço e o abraço se no instante seguinte, frio e certeiro, sua voz aprisiona, enclausura e espanca?
Do que adianta lágrimas de redenção, se a atitude beira o fracasso?
Do que adianta a Arte da Guerra para quem sequer sabe enxergar exércitos reais?
Do que adianta a Arte da Guerra para quem guerreia com os próprios amigos, amores, jóias preciosas da sua convivência? Com aqueles que lhe querem o bem. O maior bem. O maior bem do mundo.
Do que adianta literatura chinesa? Russa? Portuguesa? Francesa? Brasileira? Chilena? Argentina? "Etc e tal"?
Do que adianta?
Do que adianta a terapia, a acupuntura, a brisa do mar se só servem para menos de vinte e quatro horas? Se diante de qualquer imprevisto, coisa mal resolvida, o vulcão expressa todo o seu ódio contido lançando lavas e larvas a quem estiver pela frente? A todos os corações?
Do que adianta queimar para depois vir com um copo de lágrimas salgadas tentando aplanar a dor?
Do adianta o beijo amigo véspera do escarro, já tão bem definido no poema angelical?
Do que adianta?
Etc e tal.
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O maior desafio da humanidade ainda me parece ser o de construir a paz.
Mas, como pensar em combater guerras já estabelecidas em nível mundial se o ser humano no seu pequeno dia a dia ainda não consegue se conter?
Alguns pensam que a raiva é bom argumento. "Falei isso porque estava com raiva."
"Agi assim porque estava com raiva."
É assim que se formam alguns exércitos, que bombas são lançadas e que vidas são perdidas.
Diariamente. (Ainda que os governos encontrem desculpas melhores.)
Enquanto o ser humano se justificar pelo seu "estado passional", o mundo continuará exatamente igual. Ou um tanto pior. As paixões nos servem para conhecermos os nossos limites e sabermos que antes de manifestarmos qualquer "ai" contrário a governos, multinacionais e formas de exploração de massa, devemos aprender a expressar o mesmo "ai" contra nós próprios, diante da nossa "falta de talento" (falta de desejo real) para diminuir nossos egos em função do que tanto dizemos apreciar e lutar a favor, como a paz e finais felizes.
Está em voga colocar a culpa em transtornos psicológicos. Todo aquele que não consegue se conter diz sofrer alguma patologia e nisso se esconde, defende-se, desculpa-se e o pior, regojiza-se de glória nos seus momentos de "desabafo violento" contra qualquer um que por algum motivo "o tirar do sério."
Dessa forma, todo descontrolado recebe aval para continuar dando o seu show.
"Pobres coitados dos descontrolados! Tomam remédios controlados!"
No dia que o primeiro desejo de descontrole emocional der lugar à tentativa de respiração profunda e prolongada e que o egoísmo enraizado que só pensa em "desabafar" seus rancores der lugar ao respeito pelo outro, talvez a humanidade tenha algum jeito.
Há vulcões dentro de todos nós, mas se for tão fácil despejar suas lavas, as erupções serão cada vez mais frequentes. E vulcões de erupções frequentes acabam afugentando formas de vida em seu entorno, de solidão padecem e ainda, por incrível que pareça, sentem-se injustiçados.
"Pobres vulcões vítimas dos ingratos!"
Do que adianta a terra fértil, o beijo amigo, véspera das lavas, do escarro?
https://youtu.be/PeLvB3oAPpU
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