
Sou muito feliz por ter nascido em um contexto que me possibilita ter as mesmas condições para estudar e trabalhar que um homem, de forma que o contrário me parece surreal.
Sou muito feliz por poder escolher se vou me casar ou não, de branco ou de vermelho, de véu ou de cabeça raspada e assim por diante.
Sim, sinto muita gratidão pelas mulheres que prepararam o terreno para que as gerações seguintes pudessem colher esses belos frutos.
Entretanto, é uma pena que uma luta travada por tantas guerreiras, em busca de condições dignas, tenha sido tão deformada e subestimada.
A inversão dos valores é tanta de forma que o discurso que ganha notoriedade é o de que se resguarda aquela que se submete ao pensamento machista.
Por mais que a sociedade ainda seja baseada nos valores conservadores judaico-cristãos, essa é a corrente que ganha a força daquelas que não têm zelo o suficiente por si próprias.
A sensação é a de que muitas mulheres estão travando uma batalha para conquistarem destaque nas vitrines dos açougues pós-movimento feminista.
Uma breve interrupção:
O diamante é realmente valioso?
O que o torna valioso? O próprio valor?
O diamante nada mais é do que algo valorizado.
O valor agregado é baseado principalmente em um critério. Qual o critério?
É tão simples que chega a ser clichê. Entretanto, penso que seja relevante dizer: quanto mais difícil for, mais valorizado será.
Essa relação pode ser equiparada às mulheres e isso não tem a ver com o discurso machista.
Entendo por machista o defensor de que a capacidade intelectual dos homens é superior.
Entendo por machista aquele que pensa que a mulher deve reprimir a sua sexualidade, enquanto o homem de verdade deve gozá-la como quiser.
Há um grande equívoco na cabeça de muitas: resguardar-se ganhou a conotação de reprimir-se. A libertinagem ganhou a conotação de liberdade.
A questão é: a mulher de verdade não vai brigar por uma vaga na vitrine das carnes frescas. Ela é um diamante. E o fundamental, ela sabe disso.
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Nathália,
ResponderExcluirEm muitos países islâmicos o machismo prevalece de forma brutal e violenta. Esta semana foi noticiada a promulgação de uma Lei no Afeganistão que permite aos maridos xiitas deixar a mulher passar fome até a morte se ela se negar a ter relaçãoes sexuais. Segundo a Human Rights Watch, trata-se na verdade de um “acordo” entre o presidente Karzai para vender as mulheres afegãs em troca do apoio dos fundamentalistas na eleição que se aproxima. Vivenciamos isto em pleno século XXI. A mulher como moeda de troca.
A igualdade e a não- discriminação é um direito fundamental constitucionalizado e inserido em diversos tratados e convenções internacionais de Direitos Humanos. Contudo, ainda temos muitas discriminações .
Realmente, não deve ser confundido um direito fundamental e humano de igualdade entre os sexos com a banalização das relações e dos sentimentos. Jean Baudrillard, sociólogo francês,coloca a questão da banalização das relações pessoais na sociedade de consumo , massa e obcecada pela imagem. Trata da mercantilização das relações pessoais e sexuais. Até o amor tem que ser imediatista. O ser humano se torna tão descartável e facilmente subsitituível como determinados bens de consumo. As relações amorosas se tornam frágeis.
Vale a pena conferir os pensamentos de Baudrillard e Zygmund Baumman sobre a mercantilização das relações amorosas. Muito interessante a leitura de “Da Sedução “ de Baudrillard e “Amor Líquido-sobre a fragilidade dos laços humanos ” de Baumman. A obsessão pela imagem e consumo coloca todos em um vitrina permanentemente exposta.
Beijos,
Cláudia.
Nathy, milhares de vezes conversamos sobre esse assunto né? E te digo que sempre é muito bom discutí-lo com voce. Sua mente é tao aberta, tao interessada, objetiva e inteligente que eu aprendi muito com nossas "semi-conclusoes" sobre esse assunto. Adorei o texto e o comentário da sua mae.
ResponderExcluirRealmente, é um situaçao complexa a da mulher hoje, e como lidamos com o machismo também.Questão tao complexa que eu prefiro conhecer mais sobre o assunto do que fazer divagaçoes ... mas o seu texto está otimo! Acho que o que vale é isso, é por esse tema importante e necessario pra a vida em discussao. Parabéns pela iniciativa já! Beijos amiga.
Nathy
ResponderExcluirEu penso que não só homens mas também mulheres aderem ao pensamento machista vindo de questões culturais encontrando-se no lar familiar.
Muitas mulheres se reprimem a sentir o mesmo prazer sexual de um homem e é sempre colocada como sexo frágil.
O fato é que não seja talvez uma questão de papéis, mas uma questão de sentimentos. Tanto o homem quanto a mulher possuem sentimentos, desejos e necessidades iguais, e só a sociedade quem não admite isso.
Não consigo entender como uma mulher do sec. XXI administra um casamento, filhos, emprego e uma casa e ainda eh vista como frágil, inferior a um homem se tantas atividades lhe são tão competentes quanto a de um homem ou até maior.
E existem também as questões religiosas que impõem a mulher como submissa, não é coerente pra mim.
Se existe um Deus que propôs amar seus filhos igualmente que distinção ele faria entre os sexos???
Ainda temos muito o que pensar...
Beijos,
Isabela
Nathy, adorei o texto, sua intimidade com as palavras me impressiona. Esse é um tema que discuto frequentemente, pois convivo com ele todos os dias. Por mais que digam que o preconceito dos homens com as mulheres não existe mais, é facil acha-lo presente em varias situações do nossa cotidiano, na busca por empregos, no transito e até mesmo nas piadas. Porém, nós mulheres, continuamos na luta e cada vez mais conquistamos espaços importantes na sociedade. Acredito no dia em que o preconceito será completamente inexistente e esse dia está próximo.
ResponderExcluirMil beijos amiga linda! Continue arrasando nos seus textos!
Carol Monnerat
Disse tudo, e disse muito!
ResponderExcluirChega a ser revoltante entrar nessa discussão.. e é triste saber que apesar de toda conquista do ser feminino, este ainda nao tem o valor que merece, e pior, nem mesmo algumas mulheres sabem o quanto valem. Muito machismo ainda se encontra na propria mulher, e isso é deprimente.
E concordo com a confusao relacionada a liberdade e libertinagem..
Espero que um dia essa diferença seja vista com mais clareza pelas pessoas, principalmente pelas proprias mulheres(algumas), que exigem igualdade entre os sexos, mas nao sabem lidar com a propria liberdade.
Adorei o texto, Nat! =)
Bjãoo
Amiga, as vitrines das carnes frescas e maduras aumentam cada vez mais . Um grande shopping center de caras e bundas. Eta, carência que não consegue esperar pelo amor verdadeiro. Eta, corrida desperada que afasta a conquista. Eta, bajulação cansativa. Continue sempre como um diamante: Transparente, valoroso, belo e raro.
ResponderExcluirBeijão
Marcela
PS. vao me chamar de machista hehehe
Nat, primeiramente, agradeça por não só nascer em um ambiente onde não há grandes críticas quanto ao seu modo de vestir ou a sua postura. Agradeça por viver em uma época onde as mudanças são aceitas com naturalidade. Ja vimos de tudo. Esse é o nosso presente, uma sociedade que vive para o que é novo, mas não consegue se desprender do passado. As mulheres lutaram e conseguiram o seu lugar ao sol em relação aos seus direitos indivuduais. Hoje vemos mulheres nos maiores cargos de multinacionais. Mas devemos sempre levar em consideração a cultura da onde vivemos. Eu e você vivemos em uma parte da sociedade privilegiada pelo acesso a boa educação. O Brasil possui uma cultura machista e regressita. cultura, esta, que se concentra na parte inferior das camadas sociais, ou seja, a maioria da população do país. Esta camada segue os ideais de seus antepassados, que (por acaso podemos dizer?) por sua vez, fazia o mesmo. É um ciclo sem fim. Acho que a mulher no Brasil não passa da onde chegou devido a algo maior do que ela, a falta da eduação da população. Há inúmeros casos de populações inteiras de cidades pequenas que ainda não utilizam camisinha, ou não a conhecem. Como dizer a esta gente que a mulher pode, e deve, ter mais poder em casa do que o homem? Como mostar a um homem bruto, marcado pela situação a qual vive que seus ideais, aos quais viveu a sua vida inteira, devem ser mudados para a melhor convivência de todos? Os direitos feministas é um assunto trabalhoso, e como eu ja havia dito, maior do que nós. Temos que mudar toda a situação atual para, enfim, recomeçarmos a mudar as coisas.
ResponderExcluirEntretanto, é sempre bom ouvir uma iniciativa como esta, mostrando que sempre haverá alguém disposto a lutar pela a mudança. Parabéns Nat! Bjao!
Nathy,
ResponderExcluirGostei da discussão...A mulher tem que ter classe, mas o homem também,né? Quem quer um homem "arroz de festa" que sai babando ovo para tudo que é mulher que aparece? Ainda prefiro os homens que ficam "na dele" , que não se exibem e que sabem perceber a diferença entre um diamante e a pedra falsa.
beijãooooooooo
Dany
Realmente Nat,
ResponderExcluiro seu texto "feminista" remete a própria valorização da mulher pela mulher, e ela que sabe, não precisa provar pra ninguém o seu valor. Às vezes, uma suposta submissão pode revelar-se um controle da situação nunca antes esperado.
Parabéns pela percepção maravilhosa quanto a nós!
Beijos de quem te admira muito...
Espetacular, você soube escrever muito bem sobre tudo o que penso. É difícil ser diamante hoje pois poucos são aqueles que recconhecem, mas ainda sim acredito que entre os cascalhos e lá no fundo do oceano encontrarei alguém cansado desse mundo de valores tão deturpados.
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