quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O teoriquês.


Uma fotografia, um texto, que, por muitas vezes, revelou-se aos meus olhos.
Basta estar em sociedade. Basta observar. Fenômeno diário e tão cansativo.



Ali no canto um grupo se reúne. Uma deseja se reafirmar santa. Outro se reafirmar macho. Outros se reafirmarem engraçados. Outros ainda, os descolados, os sabichões.
E outros, tudo isso junto se puderem.
Os famosos "teóricos da vida alheia" e suas acepções.

A que deseja passar a imagem de santa, descobre que apontar meninas, especialmente aquelas que lhe causam inveja por serem infinitamente mais bonitas que ela, é uma ótima maneira de se conseguir dois feitos na mesma jogada: enquanto a pseudo-santa, se torna imaculada por suas opiniões moralistas da vida das outras, essas outras se tornam menos ameaçadoras à autoestima da ora "santa" criada.

O que deseja se reafirmar macho, apontará qualquer indivíduo que pareça ser menos viril, e/ou, ainda, qualquer história da qual possa emergir como garanhão, usando, é claro, sempre imagens distorcidas das mulheres que ele sabe não ter capacidade de seduzir e de quem quer que sirva, falando mal também de homens que se sobressaem.
Afinal, não é ele que não tenha capacidade de seduzir aquelas mulheres, são aquelas mulheres que "não valem a pena", pelos vários motivos que ele inventará a fim de disfarçar a própria incapacidade. Dos homens que se sobressaem, alguns contos também, afinal, o invejoso não sabe lidar com a ideia de alguém mais bonito ou mais abastado que ele, necessitando induzir que esse outro possui um defeito que ele não tem, a fim de mascarar as qualidades ou privilégios dos quais o outro é pleno, enquanto ele não tem sequer resquícios.

Os "engraçados", a seu modo, encontram, na vida dos outros, a oportunidade de brilharem em seus palcos ilusórios. São os comediantes da vida real. Aqueles que sobrevivem se utilizando dos indivíduos como "matéria-prima".
Alguns dias sem historinhas apimentadas, e eles são esquecidos. Pobres dos engraçadinhos...

Dos "descolados", muitas histórias "mais evoluídas" que as dos demais. Sempre mais "in". Esses se valem mais das críticas a modo de vestir, de calçar, do que dirigir, do que ouvir e por aí vai, nesse Universo tão amplo de baboseiras.

Dos "sabichões", os por assim dizer "mais mais" dos "teóricos da vida alheia", as críticas que vão além dos meros deboches, ou das meras histórias fantasiadas.
Dos "sabichões", muita argumentação engessada a fim de reafirmar as premissas falaciosas. Os "advogados do diabo".

E todos viram, ouviram dizer "de pessoas extremamente confiáveis", desconfiam pelas mais relevantes questões e são indubitavelmente superiores. 

Um grupo ali no canto. Pode ser tudo isso, ou ainda pior.
Talvez não, mas o risco corre. Um grupo sem assunto, um Cristo que pode cair na berlinda. 
Um grupo sem assunto e com baixa autoestima, um Cristo crucificado.
Não há mistério. É tão perceptível. Tão sem graça.
Tão previsível. Ainda que das cartolas saiam florestas inteiras, não só coelhos. Tão só ainda mais previsível...
Ainda mais intrinsecamente vulgar, comum, repetitivo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que Epicuro e a Terapia Cognitiva têm em comum.

            Epicuro nasceu há 341 a. C. Aaron Beck, o criador da TCC nasceu em 1921. Epicuro foi um filósofo. Beck é um médico, cientista e ...