sábado, 26 de março de 2011
Escher
Amanhã é o último dia da exposição do Escher no CCBB!!!
Escher causa uma emoção diferente. Escher causa a emoção do espanto, da surpresa, da descoberta não só da obra e das diferentes formas de vê-la como da descoberta de nós próprios.
Por meio de suas obras fascinantes, ele nos leva a refletir acerca das perspectivas da vida e dos diferentes ângulos que estão a nosso alcance para que vejamos não só desenhos como situações de diversas maneiras.
Escher me levou a questionar o porquê de uma pessoa ver primeiro em um desenho uma imagem e outra pessoa ver outra em vez da mesma. O que nos faz ver primeiro o anjo ou o monstro? Haveria alguma ligação do nosso estado de espírito ou do nosso inconsciente com o que vemos primeiro? Seria a nossa primeira impressão uma pista para que nos compreendamos mais profundamente?
Em uma sala pequena e escura e de poucas cadeiras um filme sobre o artista. Um filme que dizia que suas obras não eram líricas nem poéticas, mas cerebrais. Não discordo. Porém, como Escher mesmo disse "A matemática e a poesia têm a mesma raiz."
Aquilo que é cerebral me levou a reflexões racionais, portanto, também consideradas cerebrais que me levaram por consequência a uma satisfação tamanha por notar a capacidade que reside em mim de olhar e ver. E ver de novo. E ver mais profundamente. E ver diferente!
O que é cerebral acabou por me levar ao emocional, mostrando-me que não só a raiz é a mesma como a ponta da folha residida no galho mais alto, naquele que por pouco não agarra o céu. Naquele que entende a independência do céu e que se restringe a beijá-lo de leve, mas que mesmo assim não deixa com que o beijo perca o sabor. Não agarrá-lo não torna essa folhinha infeliz. Ela beija o céu. Nós beijamos.
Não deixem de ir a essa exposição amanhã, que posso adjetivar de diversas maneiras, mas que jamais poderei explicar com a mesma intensidade a intensidade do fascínio ao qual ela transporta. Escher afirmou a incapacidade do homem de expressar a intensidade da mesma maneira sentida. Fazendo parte desse Universo, eu não haveria de ser diferente.
Mas isso não me restringe. Isso me faz ainda mais intensa.
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