sexta-feira, 25 de maio de 2012

De um pseudônimo ainda sem nome.








De um pseudônimo ainda sem nome.

As reflexões, habitantes da cidade racional, divididas por um muro de Berlim (que por necessidade traça as fontes desse córrego misturado e enraizado que é a vida) desenvolvem-se naquilo de mais impulsivo. 
Naquilo ou Daquilo. Ainda é preciso que se pense sobre. 
E que se chegue a conclusão nenhuma, terrível e incrível o dilema. O ovo ou a galinha: que síntese!
A racionalidade que se segue faz brotar um sentimento que transborda e por instantes, a sensação de que a compreensão vai além das fronteiras! Atinge céus! ...horizontes imaginados... Planetas que sequer existem! ...tamanha é a sensação sem tamanho e a estupefata emoção de contemplar o que não se explica diante das vagas explicações, dessas que fazem todo o sentido.
Vislumbro o sentido rasgando as entranhas com um punhal que acaricia, num movimento certeiro e fugaz. 
Por vezes, lento e paranoico.
É um prazer medonho e louco. 
Razão, punhal de diamantes. Lindo. Leve. 
Cravado com as minhas iniciais.
De tão reluzente, a inveja às águas mais claras de que podemos ter notícias.
A vaidade confessada: o não abandono.
Por vezes, imensamente feliz por carregá-lo comigo...
Ah! Quantas batalhas vencidas! Umas gotas de sangue escorridas... mas gotas que escorrem ao passo dos ritmos...
Gotas não empoçam os pés!
Numa onda fatal e traiçoeira, gélida a emoção fervente:
Onde foi parar meu punhal?
Estava aqui diante dos olhos.
Reposei-o na areia.
Não poderá ter sido levado pelas ondas! 
Água não haveria de levar tal punhal pesado, leve apenas à arte embalada, que teimo em chamar de minha.
Não há sereia nem cantos.
É onda mesmo. Gelada e Louca.
É  a espuma da vida lavando a espuma que resta.
É o multiplicar de espumas!
Bolhinhas de sabão da infância.
Que lindas as gotas pelo ar! 

No balançar dos fios bem claros, as gotinhas que não o pertencem mais...
Olhos que denunciam: menina, menina, roubei teu navio... 
Sem licenças, sem pedidos, sem avisos. Desvarios...

Ah...num bilhete roubado de garrafa viajante, escrito sem palavras, o sonoro incessante!
Não era tinta que o pronunciava.

Nas cores rajadas dos mares...
Nas letras rasgadas, punhais.
Nas pedras amolecidas...
Na rolha, em seus bravos sinais:

Há uma saudade que não se rouba.
Não há chegada que conforte nem abraço flutuante.
Ela chega de mansinho, do abandono mais errante.
Não há ser mais invejável. Nem o rei mais poderoso! 
A saudade é de um ser que há muito já foi morto!
Não há como revivê-lo.
É o irressuscitável.
É o ser já adormecido de um eu imensurável.
Numa carta de garrafa, um conselho tão solene: dias tristes, dias claros: não se perca. Não se ausente.

Há inúmeras facetas, todas elas bem vistosas!
Não há como separá-las das suas cordas valiosas.
Não há rótulo pomposo, na surdina dos seus passos: 
há o cinza da mistura, a visão do nosso olfato.

Não sejamos os emotivos.
Não sejamos idiotas.
Num só canto surge o som
Ao voar das gaivotas.
Todas elas, passageiras. 
Livres! 
Entoando notas...

Sem tratados formulados.
Sem orquestras já remotas, todas elas num só coro, numa tão sonora volta:
Não sejamos racionais.
Não sejamos os idiotas.

2 comentários:

  1. Cada vez mais fico impressionado como você é capaz de produzir belas poesias e escritos sem ter que apelar a nenhum momento para o lirismo. Seu texto fala de coisas muito profundas, a despeito das exclamações que te tacham... continue assim, logo teremos um tratado de filosofia prazeroso de ler: "Não sejamos racionais./Não sejamos os idiotas". Lindo!!
    ps: bela escolha da música que acompanha!

    ResponderExcluir
  2. Cada vez mais fico impressionado como você é capaz de produzir belas poesias e escritos sem ter que apelar a nenhum momento para o lirismo. Seu texto fala de coisas muito profundas, a despeito das exclamações que te tacham... continue assim, logo teremos um tratado de filosofia prazeroso de ler: "Não sejamos racionais./Não sejamos os idiotas". Lindo!!

    ps: bela escolha da música que acompanha!

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