domingo, 22 de fevereiro de 2015

Ainda dizem que os gatos não prestam.

"Você é o que você come."
Não seríamos, sobretudo, o que alimentamos?
A maioria não é perversa, apenas vaidosa demais para enxergar as próprias "pequenas" maldades diárias.
A luta pela imagem ideal nos torna cada vez mais distantes de qualquer idealização social.
É preciso ser forte. É preciso ser superior. É preciso ser independente. Contente o tempo todo. Imbatível.
Quem é realmente forte ao ponto de não sentir o peito balançar nos momentos mais inoportunos?
Quem é realmente superior se a própria ideia de superioridade afasta a sua possibilidade?
Quem é realmente independente? Quem poderia abandonar qualquer convívio social e se mudar para uma ilha deserta sem pensar por um instante sequer no lado sombrio da solidão?
Quem é realmente contente o tempo todo, vivendo em um planeta cujo patrimônio das 80 pessoas mais ricas equivale ao da METADA DA POPULAÇÃO MUNDIAL?
Ah! Os bichanos continuam nascendo dia após dia, o que poderia servir de muitas lições, de muitos ensinamentos à nossa raça em decadência.
Fantoches. Sorrisos falsos. Perguntas mascaradas.
Dois passos e é possível ver dois rapazes. Um deles, inocente ou entediado, escuta o outro cantar suas supostas vitórias. "Como ele é importante!", pensa. Ah! Mal sabe o garoto que a fortaleza em pessoa vive falando mal dele pelos cantos, difamando-o nas mesas de bar nas quais ele, esporadicamente, não se encontra.
Ainda dizem que amizade verdadeira só é possível entre os homens. Tudo indica não ser uma questão de gênero, mas de índole.
Há indícios também de que enquanto a Excelentíssima Senhora Douta Vaidade reinar em nossos corações, sobrará espaço para mais nada, nem para nós mesmos, que um dia, fracos, se cegos, afirmaremos que convivemos com pessoas "mal-agradecidas" em vez de simplesmente ficarmos atentos diante das circunstâncias.
Sentiremos revolta contra os outros e tudo que conseguiremos enxergar será o que não recebemos em troca. Em troca de quê?
Ah! Dois passos e é possível ver dois gatos brincando. A biblioteca dorme envergonhada diante de tanto ensinamento.


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