sábado, 14 de fevereiro de 2015
Floresce.
Acabei de ler "Apenas o homem benevolente é capaz de gostar ou não gostar de outros homens." (Os Analectos, Confúcio)
Que pensamento instigante! Que sensação maravilhosa a de ler um pensamento assim. Não é mastigado.
Por que apenas o homem benevolente é capaz de gostar ou não de outros homens?
Por que o homem que não é benevolente seria incapaz de não gostar dos outros homens?
Estamos acostumados com a ideia de que aquele que não é benevolente não gosta dos outros e faz o mal por isso.
Por que o que não é benevolente também não poderia gostar de alguém?
O benevolente não gostar de outros homens é compreensível. Não compreendo a princípio o porquê do "apenas".
Paro para pensar. Talvez apenas o benevolente seja capaz de não gostar dos outros homens por ser o tipo de homem que não gosta de alguém em razão desse alguém ter atitudes pautadas em valores nada positivos, enquanto o homem que não é benevolente não gosta do sucesso do outro, não do outro diretamente.
O homem que não é benevolente quando não gosta de alguém, pensa não gostar desse alguém, mas não gosta da ameaça que o outro representa. Trata-se de inveja e não de não gostar do outro literalmente. "Não gostar do outro" nasce de um sentimento negativo. Não é simplesmente a consequência de observar atitudes negativas tomadas pelo outro. É a consequência de ver alguém melhor e não ser benevolente ao ponto de admirar em vez de invejar. Mas seria sempre uma questão de inveja?
O homem que não é benevolente também não gosta de outros homens, pois gosta do que os outros homens podem oferecer a ele, não dos homens em questão. Trata-se de uma relação de interesse.
Mas seria sempre uma questão de interesse?
Acredito que há homens benevolentes e homens que não são benevolentes.
No Universo dos benevolentes, momentos nada benevolentes.
No Universo dos distantes da benevolência, momentos de benevolência.
Logo depois, li: "O homem benevolente é atraído pela benevolência porque ele se sente confortável com ela. O homem sábio é atraído pela benevolência porque percebe que ela lhe é favorável."
Excelente lição! A sabedoria nos remete a valores positivos, tidos como benevolentes.
Entretanto, o trecho diz que o homem sábio é atraído pela benevolência por perceber que ela é favorável a ele.
Portanto, por uma questão de interesse.
Não de um interesse com a conotação negativa, mas de um interesse.
Por que a benevolência deve nascer necessariamente com o nascimento do ser?
Por que o pensamento extremista de que a benevolência é necessariamente inerente ao ser ou não?
Há seres que o são por natureza.
Há seres sábios que não o são por natureza, mas que são inteligentes o suficiente para perceber o quanto a benevolência favorece a vida! Seja a sua raiz qual for, o importante é que ela persista e resista.
O ser pode tê-la desde a tenra infância e por falta de sabedoria não saber mantê-la. Deixo a dica!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
O que Epicuro e a Terapia Cognitiva têm em comum.
Epicuro nasceu há 341 a. C. Aaron Beck, o criador da TCC nasceu em 1921. Epicuro foi um filósofo. Beck é um médico, cientista e ...
-
Sorvete de flocos. Nunca me foram tão interessantes. Porque não há motivo de maior felicidade do que receber um cartão postal da infância...
-
Uma música. Uma composição. Um bilhetinho, que seja. Um guardanapo dobrado. Olhares. Olhares ainda mais longos. O perfume. A imaginação...
-
Vou aproveitar esse meu humilde espaço para fazer uma campanha: Poupem Nathália Reina ;) Por menos bomba. Por menos camisetas apert...

Extremamente reflexivo. Amo seu blog!
ResponderExcluirObrigada!
ResponderExcluir