Algumas imagens cismam em povoar o horizonte das promessas
desacreditadas num rio fluido e sem
escape.
Algumas lembranças vêm a se sobrepor às razões tão dignas
quanto os apelos vorazes do coração, que agitado, sente.
Algumas carícias teimam em restar jamais no terreno
confortável do passado, que, ultrapassado, tende à sobreviver numa dimensão já
esquecida.
Alguns olhares são tão presentes quanto às suas memórias, de
modo que fechar os olhos é poder, de fato, enxergar essas águas límpidas e puras, itinerantes no terreno insone do coração.
Algumas vozes se fazem patentes nas mais aleatórias horas,
num pulo de um gato esperançoso, em busca de pés anfitriões.
São tantos os livros nas estantes. Tantas estórias. Quais
dignas de viver realmente? O que seria mais real do que o sentimento
insistente das horas que não se controlam?
Uma chama é trazida a cada tempestade reinante além dos
telhados desses sobrados inocentes, certos de proteção.
Há nessas gotas qualquer magia, qualquer substância
reconhecida e indecifrável. Uns pingos tão generosos adentram o lar sem pedir
licença aos sapatos que, confortavelmente, deixavam-se secar.
Entram ligeiros, molham tudo o que já estava praticamente
seco, coagulado.
Novamente, a ferida recebe a umidade dos banhos diários, tão
necessários, num terreno onde o calor se prolifera e, úmida, já não se sabe
mais se é loucura crer em sua cicatrização ou se a insensatez estaria em perder
a crença por não se saber lidar com o espaço vago e questionável da espera.
Marinheiro pertinaz, o campo das emoções inadestráveis.
Aonde quer chegar, caro senhor dos mares, que tudo suporta
sem sustentar a si mesmo?
Aprenderiam as sensações a viver planando na atmosfera ou até além dela, onde nem mesmo a gravidade lhes impusesse qualquer condição ou
seriam como certos vírus que, na ausência do hospedeiro, morrem em sua latente
inutilidade de ser?
Essas caras senhoras impertinentes, alheias à ordem
dos talheres, dizem verdades inconsequentes sem ao menos esperar o morto esfriar
a pele.
Tolas, ignoram a existência do tapete em frente à porta,
invadem nossas moradas com sapatos imundos de uma terra fresca e irresistível.
Esses marujos que não se suportam presos, surpreendentemente, sabem realizar o feito de cantar por cima das amarras, de enxergar além das
vendas.
São tão fortes. É mais fácil abandonar a casa a expulsá-los dela.
Entretanto, fugir não basta. Eles perseguem e adivinham, não
se sabe como, a nova ventura.
Todo canto se sujeita às suas canções em
qualquer tempo e circunstância.
Ah, o homem pena! Questiona, inventa.
Enfim, acaba por gerar canções, partituras, poemas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário