quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Dois dias, uma noite.


Solidariedade é um dom ou seria uma árdua construção nas mais altas temperaturas?
Somos aquele que gostaríamos de conviver?
Temos capacidade para sê-lo?

Mãe de duas crianças e tendo superado a depressão, Sandra volta ao trabalho e logo se depara com a sua demissão.
Por ocorrência de uma votação manipulada, a maioria dos seus colegas opta por receber mil euros em detrimento do emprego da protagonista. 
A mulher, personagem interpretada com delicada atenção às minúcias das condições apresentadas, consegue, por sua vez, que lhe seja concedida uma segunda votação, sem a presença daquele que seria o grande manipulador dos empregados. Sandra se vê diante do desafio de convencer a maioria a seu favor num curto período, apenas o de um final de semana. 
A obra se mostra excelente, pois consegue fazer uma metáfora da humanidade em um pequeno grupo de funcionários. Cada um se mostra diferente em relação às mesmas circunstâncias. Não exatamente às mesmas, pois cada qual tem uma vida, e, portanto, diferentes necessidades, porém, há casos extremamente semelhantes em que os indivíduos, por sua vez, agem de maneira profundamente distinta. 

Como é possível a existência do brutal egoísmo enraizado se todos estamos sujeitos às mesmas fatalidades?
Como viver desviando das serpentes e não se deixar perecer?
A escolha, necessariamente, define o caráter?

O final do filme é uma grande lição de vida e, sobretudo, o final da votação. 

A humanidade "tem jeito"?

Direção: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Roteiro: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Elenco: Marion Cotillard, Fabrizio Rongione, Catherine Salée e mais.
País: França, Bélgica e Itália 
Ano: 2014 


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